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De pé, ó vítimas da ordem

Na semana passada, a ALERJ aprovou e o governador Sérgio Cabral sancionou a absurda lei que proíbe o uso de máscaras em manifestações políticas. Como no Rio tudo (começa e) acaba em Carnaval, foi marcado um baile de máscaras como protesto contra isso. O baile contou com a presença do ótimo Bloco do Nada Deve Parecer Natural. Marcado para acabar às 22h, os presentes no baile conseguiram convencer a guarda municipal a prolongar a festa. Animadas, algumas pessoas seguiram para o Palácio Guanabara e ocuparam as escadarias do lugar, que contava com 4 oficiais da PM para fazer a segurança.

Eu fiquei no bloco até as 22h. Cheguei em casa pouco antes de meia-noite e só aí fiquei sabendo disso tudo. Morri de inveja de quem ainda estava lá. Mas fiquei muito feliz pelo sucesso que a festa em praça pública teve.

Aí eu acordo e descubro que não apenas foram reclamar do barulho até mais tarde  no evento do baile no facebook, como as pessoas que foram até o palácio Guanabara vão responder criminalmente por isso.

A notícia chega a ser engraçada, embora de um jeito trágico. Cidadãos responderão criminalmente por invadir um prédio que é público. Tudo que fizeram foi ultrapassar uma fita amarela que fica na entrada e subir as escadas. Alguns abriram as portas do prédio e entraram no salão. Não causaram um dano sequer ao patrimônio público, mas serão criminalizados da mesma forma.

Obviamente a tal preocupação com o patrimônio é apenas uma desculpa para assustar qualquer um que pretenda se levantar contra a ordem. Pra que nenhum engraçadinho tente dar abraço coletivo na PM e desmoralizar esta valorosa corporação de novo.

Mas o que me incomodou mesmo foram as pessoas reclamando do barulho. Entendo que isso pode não ser agradável. Mas, gente, vocês perceberam que o objetivo dessa festa era transgredir? Quebrar a ordem? Quem reclamou disso me deu a impressão de não entender muito bem o contexto do Rio de Janeiro – não só no que se refere às máscaras nos protestos e à criminalização dos movimentos sociais.

Já falei de como uma criança em um velocípede escancarou um discurso perverso que vem tomando conta da cidade. Esse incidente com o baile de máscaras fez a mesma coisa. Escancarou um discurso de amor e apego à ordem que só serve para tirar as pessoas das ruas. Uma cidade só fica em silêncio quando as pessoas não ocupam os espaços públicos. Uma cidade só fica em silêncio com seus habitantes dentro de casa, inofensivos à ordem.

E o Rio de Janeiro não é assim, porque a cidade é viva. É barulhenta, desordenada, porque é uma cidade que pulsa, é uma cidade vibrante. É uma cidade que pertence às pessoas – e é só por isso que no Rio colocam um bloco de carnaval na rua em pleno mês de setembro.

Tentar impor a ordem e deixar o Rio em silêncio é matar a cidade.

Por isso, é sempre bom lembrar que o Rio não pertence à guarda municipal, à PM, a quem ocupa os cargos do governo. As ruas do Rio pertencem às pessoas e nós vamos ocupá-las. Querendo os amantes da ordem e do silêncio ou não.

A ordem, quando existe para reprimir e excluir, deve ser desafiada e destruída. Mesmo que seja com música, afinal, esta é mesmo a cara do Rio de Janeiro.

A rebeldia de velocípede

Era apenas mais um dia normal no Rio de Janeiro quando o principal jornal local levou ao ar imagens de um menino descendo de velocípede o elevado Paulo de Frontin, uma via movimentada do Centro. A apresentadora chama atenção para o perigo que a criança correu ao brincar no meio dos carros, reclama de possível negligência dos pais e do poder público (nenhuma palavra sobre o cinegrafista que fez estas imagens e não pareceu muito interessado em ajudar uma criança que parecia correr tanto perigo). E o comentarista ao lado dela comete o ato falho do ano.

“A prefeitura já fez remoções, fez 2.000 acolhimentos de pessoas nesta área, mas elas sempre voltam porque não são obrigadas a ficar”.

Então temos que uma criança pobre brincando na rua é um problema social e a solução é remover as famílias mais pobres do Centro.

Acho meio indiscutível que aquela criança realmente estava correndo perigo naquela situação. Mas não é curioso como a gente naturaliza que as ruas (e, portanto, a cidade) pertencem aos carros? Que uma criança brincando em uma rua, por mais movimentada que seja, é um problema social?

Isso nos leva de volta ao começo de junho, quando as manifestações tinham o claro objetivo de reduzir as tarifas de ônibus. Com a expansão delas, a mídia foi esperta e preferiu ignorar esta pauta, que se tratava do direito à cidade. Éramos contra o aumento das tarifas porque cobrar caro (ou, na minha opinião, cobrar qualquer coisa) pelo transporte público é impedir que uma parcela significativa da sociedade tenha direito à cidade. A luta pela tarifa zero, por transporte 24h, dentre outras reivindicações, é isso. É lutar para que as pessoas mais pobres também tenham seu direito de ocupar os espaços públicos.

E esse menino sem querer escancarou a lógica que combatemos. Das pessoas que são um problema, algo a ser removido, escondido nas periferias. Da cidade que não é de seus habitantes, mas dos carros, dos investimentos, do lucro. Isso é especialmente importante para entender o contexto das revoltas no Rio. Há alguns anos, o Rio vem se tornando modelo de um balcão de negócios. Pobres em áreas de luxo? Remove. Tem favela no meio do caminho? Coloca a PM e diz que é pacificação. Tem espaço público dando bobeira? Privatiza, constrói estacionamento, constrói arranha-céu. Vende tudo para meia dúzia de empreiteiras organizadas em consórcios.

Éramos um modelo de cidade-negócio que se tornou um modelo de cidade rebelde. E estamos brigando para reconquistar o que é nosso.

 

 

Vocês não estão entendendo nada

Acho que não preciso apresentar o contexto dos Black blocs cariocas, que ficaram especialmente notórios após destruírem uma loja do Leblon (o horror! O horror!). Como o Rio de Janeiro continua indo às ruas exigindo uma CPI dos Ônibus séria, exigindo a renúncia do governador Sérgio Cabral, exigindo saber o que aconteceu com o Amarildo, dentre outras demandas, a repressão continua forte por aqui. É aquilo, quando você acha que a polícia se superou na truculência, ela te surpreende.

Os Black Blocs começaram a ser alvo de pesadas críticas. Começou com o PSTU, pelo menos um setor do PSOL fez coro. Tivemos a Veja, sempre ela, dedicando uma capa ao “bando dos caras-tapadas”. Sempre podemos contar com a desonestidade e falta de sutileza dessa revista, é claro. Mas aí tivemos a Marilena Chauí fazendo seu papel de revista Veja da esquerda e chamando os Black Blocs de fascistas em uma palestra para a Polícia Militar do Rio de Janeiro. Não tem como dar errado, Marilena, parabéns.

Repressão no Rio de Janeiro, 27 de agosto de 2013

E eu me sinto particularmente incomodada de ver os Black blocs sendo criticados por todo mundo. Porque é muito fácil criticá-los. É um grupo horizontal, heterogêneo, que nem adota uma postura política única. Resumindo, é um grupo que não tem como se defender. Ou alguém imagina que a PM vá abrir as portas para os Black blocs darem palestra por lá?

Uma das críticas feitas aos BBs é que esta tática não é eficiente, pois não contribui para organizar os trabalhadores. E isto é verdade. Talvez a perspectiva do enfrentamento com a polícia e do quebra-quebra não agrade à maioria dos trabalhadores que gostaria de participar dos protestos e até concorda com as pautas das manifestações. No entanto, este não é o papel dos Black blocs. E, de qualquer forma, eu não vejo a esquerda tentando organizar estes trabalhadores. No geral, os partidos e organizações de esquerda preferem se fechar em seus grupos e se limitar a conversar com quem já concorda com suas ideias. Há pouco diálogo entre os setores da esquerda, em sua maioria muito sectários, que dirá com trabalhadores que não estão organizados. É preciso fazer um trabalho de base que é cansativo, desgastante, que pode não render os frutos esperados. Mas se a esquerda não fizer isso, quem fará? É injusto exigir isso dos Black Blocs, pois esta responsabilidade não é deles.

Nas palavras de Leon Trotsky:

“Os reformistas incutem sistematicamente nos operários a idéia de que a sacrossanta democracia está assegurada da melhor maneira quando a buirguesia está armada até os dentes e os operários, desarmados. (…) Aos bandos do fascismo somente podem opor-se com sucesso destacamentos de operários armados que sintam atrás de si o apoio de dezenas de milhões de trabalhadores.”

(Trecho do livro O Programa de Transição)

Persiste a ideia de que a ação dos Black blocs é usada para justificar a violência contra os manifestantes. É inadmissível falarem isso depois de junho. Já esqueceram das fotos de manifestantes apanhando de joelhos, com flores na mão? Esqueceram da PM partindo pra cima de um milhão de pessoas na Avenida Presidente Vargas? Não caiam nesse papo.

Junho, em São Paulo

Junho, em São Paulo

Os setores conservadores da sociedade (inclusive a mídia e os próprios representantes eleitos) vão desqualificar as manifestações de qualquer jeito, como sempre fizeram. É esse o papel deles. Por que deveríamos nos pautar por eles? Se o trabalho de base fosse feito, não seria necessária tamanha preocupação com a repercussão que vem da mídia e dos gabinetes. Voltaremos aos desfiles ufanistas dos caras-pintadas cantando o hino nacional e exigindo a expulsão dos partidos?

sempre ela

sempre ela

A auto-crítica feita pelos Black blocs em si é muito positiva, principalmente considerando o quanto isso é raro na esquerda. Não gosto é do cenário em que ela se deu, com esses manifestantes sendo duramente criticados tanto pela direita (o que é esperado), quanto pela esquerda (destaque especial pra Marilena Chauí chauízando). Sinto um grande incômodo que isso tenha acontecido quando tramita na ALERJ um projeto de lei proibindo o uso de máscaras e qualquer coisa que sirva para cobrir o rosto nas manifestações. É inadmissível ter que lutar pra não perder um direito constitucional por conta de uma desculpa esfarrapada como essas. O nome disso é repressão. No momento em que se discute a desmilitarização da polícia, é necessário lembrar que a repressão vem por outros meios, por todos os lados, de formas mais sutis que uma cambada de fardados com (ah, a ironia) rostos cobertos e sem nome na farda que dispara contra a população desarmada.

jogo: ache o oficial do choque com o rosto descoberto

Se você ainda acha que a destruição de vidraças de bancos e vitrines de loja é usada como justificativa pra repressão. Se você acha que só vai com o rosto coberto pra manifestação quem já está mal-intencionado. Desculpa dizer, mas você não entendeu nada. Não entendeu o que significou junho, não entendeu nada sobre a repressão que enfrentamos nessa tal democracia, não entendeu o que significou a prisão de vários manifestantes no complexo penitenciário de Bangu. Não entendeu o caso Amarildo. Não entendeu as mortes na Maré.

Depois não vá reclamar que está sendo expulso das manifestações. Não vá reclamar que a esquerda foi pega de surpresa nas mobilizações futuras.

* * *

UPDATE: o Estado mostra as suas garras e lembra que é ineficaz concentrar esforços apenas pela desmilitarização da Polícia.

O tal projeto que torna crime cobrir o rosto em manifestações foi pro plenário na terça, dia 03/09, mas não foi votado. Porém, está previsto que seja votado novamente na terça que vem, dia 10/09.

No entanto, uma decisão judicial absurda teve o mesmo efeito. A partir de ontem, 03/09, a polícia militar pode conduzir para a delegacia qualquer pessoa que esteja cobrindo o rosto, para CADASTRAREM seus dados pessoais como nome completo, foto do rosto e impressões digitais.

Além disso, há notícia de que os administradores da página Black Bloc RJ no facebook receberam prisão preventiva, ou seja, vão aguardar o julgamento na cadeia. Detalhe: eles foram presos sem mandado para tal porque encontraram em suas casas… Facas.

É a criminalização escancarada dos movimentos sociais.

Embora as ofensivas tenham vindo do Legislativo e do Judiciário, é importante lembrar que estes dois poderes estão atendendo os desejos do poder Executivo. Foi o Sérgio Cabral, através da tal Comissão de Investigação de atos de Vandalismo, quem solicitou a aprovação da tal medida judicial.

Isso apenas escancara a podridão da democracia burguesa. Só pode ser ingenuidade achar que conseguiremos conquistas reais através dela, agora que ficou explícito como todas as instâncias da democracia servem a interesses particulares.

A OAB-RJ já se posicionou contra esta decisão. Agora é hora de ir à luta.

Sobre santas quebradas e violência

Aconteceu, neste sábado (27), a Marcha das Vadias do Rio de Janeiro (MDVRJ). Há meses, ela estava marcada para acontecer em Copacabana, a partir das 13h. Por problemas de logística (por pura incompetência, na verdade), os eventos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) que ocorreriam em Guaratiba, na zona oeste do Rio, foram transferidos para Copacabana. E é claro que mantivemos a marcha por lá.

A Marcha saiu do posto 5 de Copacabana até o posto 9 de Ipanema. Eu não gostei desse trajeto. Penso que manifestações existem para trazer algum incômodo, parar o trânsito, quebrar a normalidade. Acho que o mais interessante teria sido andar pelo bairro de Copacabana, gritar para o bairro inteiro ouvir, inclusive os peregrinos católicos. Mas, fora isso, achei o saldo da marcha positivo.

Sim, eu gostaria de ter realizado um confronto – ainda que na base dos gritos. Mais um, na verdade, pois alguns peregrinos passaram pela concentração da marcha aos berros de “viva o papa! Viva a igreja!”. Houve resposta, é claro. Acredito que tenha sido nessa hora que um peregrino cuspiu na cara de uma manifestante. Este é um dos motivos pelos quais as estátuas quebradas não me incomodam: me compadeço muito mais por uma pessoa agredida do que por um pedaço de gesso.

Chegamos, afinal, à principal polêmica que a MDVRJ trouxe: uma performance artística em que um casal de manifestantes seminus quebrou estátuas de santos católicos. Claro que esta polêmica foi construída de fora, pela mídia. Eu estava lá enquanto a performance foi feita, mas sequer consegui vê-la, pois havia um círculo de pessoas ao redor dela e eu, baixinha, não consegui ver nada mesmo na ponta dos pés. Durante a marcha, não vi ninguém comentando sobre isso. Só fui saber o que houve horas depois, já voltando para casa, através de comentários na internet.

Não condeno a performance porque não me importo com a destruição de um símbolo opressor. Digam o que quiserem, mas, para mim, aquelas estátuas não passam de símbolos de uma instituição responsável por oprimir mulheres, indígenas e negros durante milênios. Aquelas estátuas simbolizam as pessoas que torturaram e queimaram vivas milhares de mulheres na inquisição. São o símbolo da instituição que condena a autonomia das mulheres. São o símbolo de uma instituição misógina. Nada mais justo que fossem destruídos numa marcha política. Afinal, não podemos esquecer que a Igreja Católica é uma grande instituição política com grande influência no estado brasileiro – que deveria ser laico, mas nunca se livrou deste ranço que vem desde os tempos da Colônia.

O grande respeito que a igreja nos concede: dizer que estupro é relativo

A aprovação ou não deste ato depende das convicções políticas de quem o avalia.  Eu acredito que não há diálogo possível com quem nos oprime e que, se alguém deseja fazê-lo, uma manifestação não é o momento pra isso – o diálogo tem que ser feito previamente. Existe o diálogo, feito principalmente através do grupo Católicas pelo Direito de Decidir, que são um grupo minoritário lá dentro.  Mas muitas de nós não estão dentro da igreja católica, o que já exclui qualquer diálogo por parte dela, que não costuma dar ouvidos a quem não se curva a seus dogmas. Portanto, a possibilidade de um diálogo é ínfima. E eu não acho que nossas ações políticas devem se limitar a isso. Não devemos nos limitar ao diálogo com quem cospe nas nossas caras, literal e simbolicamente, todos os dias. Eu acredito muito mais em enfrentar os opressores como ação política. Portanto, não posso condenar quem o faz.

Condenar esta performance artística, pra mim, é uma hipocrisia tão grande quanto chorar pelas vitrines quebradas da Toulon e dar de ombros aos 13 mortos na Maré, ou ignorar o pedreiro Amarildo, que desapareceu na Rocinha após ser levado de casa por policiais da UPP. Não consigo me compadecer por pedaços de gesso quando tantas mulheres são despedaçadas todos os dias fazendo abortos clandestinos, quando são despedaçadas pela violência doméstica, por estupros; quando tantos LGBTs são agredidos e mortos todos os dias. A Igreja Católica também carrega responsabilidade por todo este sangue derramado quando fomenta intolerância e misoginia.

Não acho que seja possível classificar isso como intolerância religiosa. Duas pessoas resolveram quebrar as estátuas que elas compraram em um espaço público, durante um ato político. Ninguém invadiu uma igreja, impediu as pessoas de rezarem e despedaçou as imagens lá dentro. Porém, isso acontece o tempo todo nos terreiros de candomblé, nos centros de umbanda, mas não há a metade da indignação por parte da mídia e do público em geral. O recado é claro: existem religiões mais respeitáveis que outras. Dá pra distinguir uma da outra pela cor da pele de quem a pratica.

Como qualquer ato político, nem todo mundo vai concordar com a quebra das estátuas. E, como qualquer performance artística, ela tem milhares de interpretações possíveis. Porém, acredito que atos políticos não deveriam ser feitos com simpatia e cordialidade, mas devem quebrar a normalidade, agredir o status quo, porque é contra isso que nós lutamos.

UPDATE: pra quem fez questão de não entender nada e tá de chororô porque eu fui muito intolerante, espero que se compadeçam igualmente dos terreiros de candomblé e centros de umbanda do Rio. Segundo O Globo, metade deles já sofreu algum tipo de discriminação. Beijão.

Nota

Estado que mata, nunca mais!

O último post deste blog diz respeito a algo que eu chamei de barbárie: a noite de 20/06/2013, quando o aparato do Estado reprimiu com violência os manifestantes que se encontravam na Avenida Presidente Vargas. E, de fato, foi a experiência mais assustadora da minha vida. Eu nunca havia visto a força do Estado voltada contra mim. Eu me senti vulnerável, impotente, humilhada. Mas sentia a segurança de estar abrigada em um prédio da UFRJ. Senti a solidariedade de integrantes da OAB e da ALERJ, que foram nos ajudar. Estava acuada, mas não estava sozinha. Poucos dias depois, na madrugada do dia 24, o Estado nos fez lembrar de que pode ser muito mais cruel e violento que aquilo.

Durante uma manifestação na Avenida Brasil, na altura da favela Nova Holanda, um grupo realizou arrastões no local. A polícia chegou e eles fugiram para a favela. Lá, um oficial do BOPE foi morto a tiros. A partir daí, seguiu-se uma chacina para vingar a morte do oficial.

Eu não vou mentir: sou uma pessoa de classe média e sempre fiquei muito distante das favelas, apesar de elas serem parte indissociável do Rio de Janeiro. Não é que eu feche os olhos para esta parte da cidade, mas falar das tragédias que ocorrem por lá é como falar de algo triste, tocante, mas distante de minha vida. Porém, quando as notícias foram chegando e o número de mortos só aumentava, a favela passou também a ser parte de mim. Eu jamais poderia ignorar o medo, o desespero, a angústia daquelas pessoas depois de ter passado por um terror muito parecido (guardadas as devidas proporções, é claro) perpetrado pelo mesmo aparato repressor do Estado. Jamais conheci nenhuma das vítimas, mas a morte delas me fazia pensar que algo dentro de nós morreu junto.

Nós morremos aos poucos a cada vítima da brutalidade nas favelas. Morremos como sociedade. Uma parte de nossa humanidade se vai junto com estes mortos, que se tornam apenas números numa estatística cruel. Parte da nossa juventude é exterminada todos os dias, não apenas pelas balas de fuzil, mas pelo abandono, pela exclusão. E isso virou parte do cotidiano. As vítimas se tornam mero efeito colateral de uma guerra contra o tráfico, de uma pacificação promovida pelos caveirões. Estes blindados que tanto me escandalizaram na noite do dia 20, quando desfilaram pela cidade atrás de manifestantes, são o cotidiano destas comunidades.

Talvez esta chacina tivesse passado em branco antes das grandes manifestações no Brasil. Afinal, como eu disse, favelado quando morre só vira estatística. Não foi o que aconteceu. No dia 2/07, cerca de 5 mil pessoas compareceram ao ato ecumênico marcado no complexo da Maré em homenagem aos seus mortos.

Eu cheguei bastante atrasada, pois estava chovendo muito e o trânsito ficou complicado. O ato estava marcado na altura da passarela 9 da Avenida Brasil, em frente à ONG Observatório de Favelas. Desci perto da passarela 6 e fui andando pelo resto do caminho, que se encontrava apinhado de policiais que se encontravam armados até com fuzil. Eu não consigo achar isso normal. Quando foi que um oficial carregando uma arma de guerra virou cotidiano? No caminho, foram estendidas faixas com os nomes de algumas das vítimas e palavras de ordem. Já senti um nó na garganta ali mesmo, antes de chegar ao ato.

maré resiste

Devido ao meu atraso, perdi o que deve ter sido a parte mais emocionante, quando líderes religiosos e familiares das vítimas subiram no carro de som e falaram para a multidão lá embaixo.

No ato, muitos estavam de preto e traziam um adesivo com o que virou o lema da resistência da Maré: Estado que mata, nunca mais! Pelo caminho, manifestantes carregavam cartazes com o nome e a idade de cada uma das vítimas. Senti outro nó na garganta ao constatar que a maioria, assim como eu, não tinha mais de 23 anos.

No carro de som, começaram a cantar alguns funks com letras que traduziam o sentimento de todos lá, independente do lugar de onde vieram, da história de vida até aquele momento. Tudo isso se tornou irrelevante quando cantamos “eu só quero é ser feliz/andar tranquilamente na favela onde eu nasci/e poder me orgulhar/e ter a consciência que o pobre tem seu lugar” e “eu sou favela/sempre fui e sempre serei favela”. Nenhuma frase poderia ter sido mais verdadeira naquele momento. Éramos favela. Não faltaram também palavras de ordem contra o governador, a polícia e até o onipresente Eike Batista.

Este emocionante ato me deixou com vários nós na garganta, mas também com um inédito sentimento de conforto. Aquelas mortes não viraram estatística. Viraram uma indignação que ecoou nas ruas da Maré e chegou à Avenida. Virou uma indignação que levou gente até então distante a prestar solidariedade e unir forças. Tenho a esperança de que não há momento mais propício para discutir o fim da polícia militar e repensar a lógica que empurra tanta gente pra miséria, que torna tantas vidas descartáveis. Só nos resta saber aproveitar isso, para que tanto sangue derramado não seja em vão.

Só restaram as dúvidas

“O trajeto combinado vai da Candelária até a Prefeitura. Passando da Central do Brasil, existem poucas ruas e poucas rotas de fuga. É óbvio que o Choque estará lá, mas eles não vão barbarizar pra cima de uma multidão”

Este era o diálogo que tive com meus amigos antes de irmos à manifestação do dia 20/06 no Rio de Janeiro. A coisa já começa surreal por aí: precisar definir rotas de fuga caso a polícia queira te impedir de exercer seu direito democrático na marra. Mas, bem ou mal, já estávamos acostumados a isso. Sabíamos que a repressão viria. Mas, neste dia, percebemos que não há limite algum para a truculência do Estado.

O que vou escrever agora pode ficar confuso, pois é uma tentativa desesperada de dar sentido, qualquer um, a algo que ainda está muito embaralhado na minha cabeça.

Desde segunda-feira, quando a Rio Branco e a Cinelândia foram completamente tomadas por manifestantes, senti um estranhamento muito grande. Durante todo aquele interminável caminho, só o que eu pensava era: “o que está acontecendo aqui?”. Uma pergunta estúpida, já que, para mim, a idéia era muito clara: lutar pela revogação do aumento das passagens de ônibus. Havia a idéia maior por trás disso, de lutar pelo direito de ir e vir pela cidade (que fica prejudicado, especialmente para as pessoas de baixa renda, pelo alto preço das tarifas) e pelo próprio direito às manifestações, que vinha sendo sistematicamente tirado de nós pela polícia. Naquela quinta-feira, estávamos nas ruas porque a revogação do aumento das tarifas foi só para inglês ver, já que a medida nem arranhou os lucros da Fetranspor. Mas tudo isso também me parecia claro. Porém, quando me vi cercada daquela massa amorfa, de branco, que entoava cantos ufanistas de torcida de vôlei, percebi que clareza era a única coisa que não existia ali.

Na internet e nas ruas, havia uma forte repulsa aos partidos de esquerda que sempre estiveram presentes nestes movimentos. Aí fiquei com raiva. Sou contra levar bandeira de partido pra esses atos, mas quem quer levar, fique à vontade, afinal, é um direito. Sempre foi assim. Havia nisso quase uma ofensa pessoal pra mim: eu sou filiada ao PSOL, estou nesse movimento desde o início, quando tomávamos porrada do Choque e ninguém ficava sabendo. E agora essa galera, que até ontem chamava movimento social de vagabundo e baderneiro, quer me expulsar de lá? Quando vi a hostilidade aos partidos, chegando até a agressões físicas, percebi que a coisa era bem mais grave.

A sensação de “mas que porra está acontecendo aqui?” me acompanhou desde a segunda-feira e ficou maior ainda nesta quinta-feira. Novamente, estava do lado de milhares de pessoas que não pareciam ter idéia do que estava acontecendo. Parecia um péssimo bloco de carnaval, porque nem música estava rolando. No máximo, um “eu sou brasileeeeeiro/com muito orgulhooo/com muito amoooooor”. Prontamente, meu grupo dava a seguinte resposta: “alô, reaça, eu não vou falar de novo: não é pela pátria, é pelo povo”. Assim foi da Candelária até um pouco depois da Central do Brasil, perto da prefeitura.

Como eu disse, era óbvio que a polícia não nos deixaria chegar à prefeitura. Eles já estavam lá, nos aguardando, e começaram a fazer o que sabem para nos dispersar. Quando cheguei à Cidade Nova, muita gente já estava voltando. Ouvíamos barulhos de bombas. Tentando conter o desespero para não causar uma desgraça maior, meu grupo se sentou no chão e tentou convencer os outros a fazer o mesmo. A idéia era prosseguir até a prefeitura. Desistimos quando recebemos orientação de um carro de som para recuar.

Uma das rotas de fuga seria o prédio da faculdade nacional de direito (FND) da UFRJ, ali perto. Sabíamos que era arriscado, pois ela fica quase do lado da sede do Batalhão de Choque. Havia muito barulho de bomba vindo daquela direção, ao mesmo tempo em que alguns manifestantes seguiam para o prédio da UFRJ. Paramos na esquina entre a Presidente Vargas e a rua da FND para decidir o que faríamos. Grande erro. Uma nuvem de gás lacrimogêneo nos alcançou. Uma multidão passou correndo e meu grupo acabou se dispersando.

Nunca senti o gás lacrimogêneo tão perto de mim antes da quarta-feira, na passeata em Niterói, quando eu estava sem máscara, sem lenço pra cobrir o rosto, sem vinagre. Foi horrível sentir os olhos lacrimejando tanto que mal podia abri-los, aquele gás queimando todas as minhas vias aéreas, o medo de que aquela merda levasse a uma crise de asma. Mesmo assim, sobrevivi e aprendi que os efeitos são passageiros. Pude manter a calma e guiar minha amiga, que também estava desprotegida e não parecia enxergar muito bem no meio do gás, para longe daquilo. Orientei para que ela pegasse o vinagre dentro da bolsa. Andei pelas pistas da Presidente Vargas até encontrar o rapaz que carregava um sinal que servia de ponto de referência para o meu grupo. Conseguimos ficar juntos novamente. Lembro de uma menina em pânico porque precisava pegar seu remédio pra asma e eu ali, ao seu lado, sem poder acalmá-la.

Seguimos em frente. Nas laterais da Presidente Vargas, muitas pessoas destruíam o que viam pela frente. Não posso condená-las. Não sei se eram manifestantes, pessoas infiltradas. Não dá pra ter certeza de nada. Nervosos, tentamos decidir o que fazer. Repassávamos as possíveis rotas de fuga, seguindo a hipótese de que o Choque nunca cerca totalmente um lugar. Mais uma certeza que iria pro ralo depois desta noite. Entramos pela Avenida Passos. Neste momento, a correria era grande e várias motos da PM que estavam paradas na rua avançaram sobre nós. Por causa da correria, meu grupo se dispersou. Uma parte continuou pela Avenida e outra entrou pelas ruas menores até alcançar outro prédio da UFRJ, o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais. Parecia o lugar mais seguro para nos reagrupar e decidir o que fazer. A PM, entretanto, quis que a coisa ficasse diferente.

Os estudantes que entraram no IFCS ficaram sitiados no lugar. Não porque o Choque realmente tivesse cercado o lugar (isso nunca ocorreu), mas porque as notícias que vinham de fora eram apavorantes. O mundo estava desabando. A Lapa estava sendo destruída. Bombas de gás lacrimogêneo foram atiradas dentro de restaurantes e do Circo Voador. A porrada comia na Rio Branco. Pessoas estavam encurraladas na Praça XV. Resumindo: não saímos de lá porque não havia pra onde correr. O Centro, a Glória, o Catete e até Laranjeiras estavam tomados por policiais que brutalizavam quem desse o azar de ficar na frente.

As câmeras da CET-Rio que transmitem imagens dos arredores foram desligadas. Invadiram a FND. Invadiram o Pronto-Atendimento do Hospital Souza Aguiar, jogando bombas de gás lacrimogêneo e distribuindo balas de borracha. Os temidos Caveirões estavam nas ruas. Quem saía da FND era preso e autuado por formação de quadrilha. Consideramos passar a noite no IFCS, pois não parecia ser possível sair daquele inferno ainda naquela noite.

Caveirão, o blindado que o BOPE usa pra subir nas favelas, e manifestantes resistindo à barbárie

Tudo estava tranquilo dentro do IFCS. Só não estava tranquilo dentro de mim. Eu tentei me distrair, consegui me acalmar, mas por dentro permanecia a sensação que aquilo não podia estar acontecendo. Não deveria. Como assim, eu estou presa dentro de um prédio da UFRJ porque a polícia tornou as ruas do Centro muito perigosas? E eu só saí de casa pra protestar contra medidas arbitrárias do governo, um direito previsto na Constituição. Naquele dia, exercer um direito democrático virou crime.

Foram cerca de três horas presa naquele prédio. Lá fora, o mundo desabava e a boataria corria solta. A idéia de passar a noite lá dentro parecia cada vez mais sensata.

Então, alguns representantes da OAB e da comissão de direitos humanos da ALERJ chegaram para nos ajudar. De início, a orientação era pra que passássemos mesmo a noite lá. Depois, os advogados formaram uma escolta para levar os manifestantes até o metrô (que havia sido fechado poucas horas antes).

Advogados escoltando os manifestantes até o metrô da carioca

A idéia era fazer isso com as pessoas que precisavam pegar ônibus, mas não havia garantia alguma de que eles chegariam em segurança até suas casas. Fiquei sabendo que várias pessoas estavam refugiadas nos gabinetes do Chico Alencar e da Janira Rocha. Como consegui abrigo na casa de uma amiga em um lugar próximo e carona com um dos advogados até lá, finalmente saí do IFCS à meia-noite.

Passamos também por alguns lugares do Centro: Lapa e FND. Alguns carros de polícia continuavam nas ruas, mas elas estavam desertas. Nem parecia uma noite de quinta-feira no Rio de Janeiro.

Cheguei na casa desta amiga querida, que me ofereceu abrigo e alguma tranquilidade. Eu permanecia chocada, sem entender direito o que tinha acontecido. Sem entender como foi possível que aquilo acontecesse. Sinceramente, até agora a ficha não caiu direito. Falava com amigas que estavam aos prantos vendo as notícias. Mas eu não consegui chorar. As lágrimas estão até agora entaladas, mas não saem.

Dá vontade de chorar por saber que isso tudo não foi nada perto do que os moradores de favelas passam todos os dias. Dá vontade de chorar por saber que o Estado, aquele que deveria servir ao povo, nos perseguiu como cães raivosos. Dá vontade de chorar ao lembrar do desespero de querer proteger seus amigos, ao mesmo tempo em que você mal consegue se proteger.

E eu, sinceramente, não sei o que fazer. Devemos continuar nas ruas e mostrar que o aparato repressor do Estado não venceu? Devemos enfrentar os fascistas que acordaram? Devemos tentar ser maiores que a massa de manobra ufanista que invadiu as ruas? Não sei se o risco vale a pena: pelo que falaram, foi pura sorte conseguir chegar ao IFCS e ficar segura lá dentro. Eu não quero desistir. Mas, no momento, não sei por que (nem por quem) é esta luta.

Quero citar nominalmente as pessoas e instituições que nos ajudaram: OAB, Comissão de Direitos Humanos da ALERJ, Marcelo Freixo e Janira Rocha. Enquanto isso, os responsáveis por aquela merda toda (leia-se, os governos municipal, estadual e federal) não davam um pio. Só foram se pronunciar hoje [sexta-feira], em entrevistas coletivas devidamente ensaiadas.

Como finalmente a classe média teve um gostinho do que sofrem os moradores de favela do Rio de Janeiro, espero também que comece a discussão para exigir o fim da PM. O que aconteceu ontem foi a mais clara demonstração de que essa instituição só serve pra proteger patrimônio (aliás, nem isso, já que muita coisa foi quebrada no caminho. A idéia era só cair de porrada em cima de nós). A polícia militar nunca existiu para proteger as pessoas.

Por fim, este é um relato de apenas uma das coisas que aconteceram ontem. É importante correr atrás de relatos das pessoas que estiveram em outros lugares, como Avenida Rio Branco, Praça XV, Lapa, FND, Laranjeiras, para conseguir ter uma idéia mais clara sobre o tamanho da catástrofe que ocorreu ontem.

Neste post, há vários links com vídeos e relatos sobre a barbárie de quinta-feira.

Nós somos São Paulo – um manifesto pela solidariedade

Tivemos uma grande vitória no Rio de Janeiro: cerca de 10 mil pessoas caminharam da Candelária até a Cinelândia pela Avenida Rio Branco. Ocupamos o coração do Rio de Janeiro. Na Cinelândia, a empolgação tomou conta e resolvemos levar a marcha até a Assembléia Legislativa. Ocupamos a sede do poder político da cidade.

ALERJ tomada

Nos prédios da Rio Branco e da Avenida Porto Alegre, várias pessoas nos apoiavam jogando papel picado das janelas. No Teatro Municipal, duas mulheres uniformizadas, provavelmente trabalhadoras do lugar, acenavam e pulavam no ritmo da nossa cantoria.

O povo na Rio Branco

Até alcançarmos a Avenida Presidente Antônio Carlos, tudo estava na paz. Foi nesta avenida que o Choque se posicionou atrás de nós. E esse é o problema. A mera presença do Choque já exalta os ânimos. As pessoas ficam nervosas e qualquer barulho já leva a uma correria. Mesmo assim, conseguimos manter a calma e passar pelo caminho onde nos reprimiram com violência na última segunda-feira. Fizemos a bela ocupação das escadarias da Alerj.

Cansada, mas muito feliz e orgulhosa, resolvi ir pra casa, imaginando que a multidão se dispersaria ali. A felicidade acabou quando vi as notícias: porrada cantando na Avenida Presidente Vargas e carnificina em São Paulo.

Vou falar mais sobre o Rio, é claro, pois é onde estou. Nesta manifestação, ficou claro que o que CAUSA confusão é o Batalhão de Choque. Nós seguimos por duas horas, cercados por um cordão de oficiais da PM que escoltava a manifestação pela Rio Branco. Dos quatro atos realizados no Rio de Janeiro, eu estive presente em três. Em nenhum deles houve qualquer depredação ANTES da ação do Choque. Eles nunca chegam para conter as manifestações, eles chegam para dar um castigo exemplar para quem ousa levantar a voz contra injustiças. É o braço armado do Estado tentando nos calar na marra.

O ato mais violento que presenciei até agora foi o de segunda passada. Por isso, digo que somente alguém que nunca teve o Choque apontando armas pra você fica escandalizado com as ações dos manifestantes. Eu sou grata. Não concordo com a depredação de patrimônio histórico. Mas graças às pessoas que ficaram para trás jogando pedras no batalhão e fazendo barricadas, a maioria conseguiu sair ilesa da Primeiro de Março. Sou grata a quem se colocou na linha de tiro pelos outros.

É bom falar que havia uns 5 policiais do Batalhão de Choque montados a cavalo escondidos atrás da Alerj. A intenção era claramente fazer uma emboscada caso as pessoas corressem para a Praça XV se houvesse algum problema.

A intenção da polícia SEMPRE é atacar. Manifestantes se defendem como podem.

 

Já em São Paulo, no último dia 13, foi a coisa mais triste e desesperadora que já vi na vida. Foi a barbárie em estado puro com a conivência de todas as esferas do governo: municipal, estadual, federal. Todos os relatos que vêm de lá são terríveis, de partir o coração.

É por isso que cada vez mais as pessoas precisam sair às ruas no país inteiro. Porque esta luta já se nacionalizou – e não tem mais volta. Nós precisamos ser solidários: sair às ruas servirá para dar força aos manifestantes de SP, pois eles saberão que não estão sozinhos. Vamos mostrar que o Brasil está com eles nesta luta e que não vamos aturar o autoritarismo e a barbárie calados. Nós estamos com eles nesta luta, dando força, apoiando.

NÃO É HORA DE RECUAR!
Nós somos São Paulo!