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lulu e a tsunami de male tears

novembro 25, 2013

Foi feita a versão brasileira de um aplicativo muito popular nos EUA: o lulu. ele permite que você, mulher, avalie seus ex-namorados, ficantes, amigos, enfim, os homens que você conhece e estão no seu facebook. Mais detalhes aqui. E tá rolando muito debate sobre o EMPODERAMENTO que esse aplicativo promove, sobre a ética de falar detalhes privados sobre os homens da nossa vida etc. etc. Eu estava evitando formar uma opinião sobre isso porque… Gente, é só um aplicativo. Mas mesmo assim vou deixar minha opinião breve aqui sobre os pontos principais desse negócio.

O LULU É EMPODERADOR! Não, gente. Não é feminista inverter os papéis tradicionais e objetificar os homens. Não é empoderador empurrar aos homens o papel subalterno que sempre coube às mulheres – guardadas as devidas proporções, é claro. Meu feminismo busca igualdade, não um mundo em que homens tenham a possibilidade de ser cidadãos de segunda classe.

E existe algo ainda MENOS empoderador nesse aplicativo: ele só reforça os papéis de gênero tradicionais para homens e mulheres em uma relação heterossexual. Por exemplo, um dos quesitos avaliados é ambição (ou seja, se o cara pretende ser rico no futuro. Quanto maior a ambição, maior a nota geral). Entre os atributos positivos estão “paga a conta”, “deixa as inimigas com inveja”, “homem de uma mulher só”; entre os negativos, “só pensa em sexo”, “mora mal” e “tem amigas demais no facebook”. Ou seja, um festival de bobagens que só serve pra nos colocar de volta em papéis de gênero estúpidos e reforçar a monogamia obrigatória. Tudo que o meu feminismo busca destruir. E me preocupa que vejam isso como algo empoderador.

NOSSA GENTE QUE VULGAR MULHER FALANDO DE HÔMI. Minha gente, o lulu só escandaliza quem acha que mulher é assexuada ou só quer saber de fazer amor, que vê o sexo como uma barganha afetiva, coisa assim. Não, amigo,  a gente quer sexo gostoso e vai avaliar se tu fode bem. E vai comentar com as amigas no bar, no inbox do facebook ou no whatsapp. Mulheres gostam de sexo e falam sobre sexo. Lidem com isso.

O LULU VAI GERAR BRIGAS ENTRE CASAIS FODEU CABÔ RELACIONAMENTOS. Se vocês pararem pra pensar, os critérios de avaliação do lulu são extremamente bobos, não rola uma putaria pesada e a identidade das avaliadoras fica sempre em segredo. Enfim, se você se incomoda de saber que teu namorado/marido teve outras mulheres na vida, ou que outras mulheres desejam seu namorado/marido, você vive em algum filme da Disney.

COITADO DOZÔMI TUDO REVOLTADO E OPRIMIDO. Nossa, gente, sério que vocês querem igualar um aplicativozinho de celular a 5000 anos de patriarcado?

Serei sincera: é muito engraçado ver os homens revoltados quando entendem que estão sendo tratados como… mulheres. Não é legal, né? Imagina passar a vida toda assim. E ser responsabilizada quando isso acontece – afinal, quem mandou colocar aquela roupa? Quem mandou ser piranha? E não adianta tentar ignorar porque não importa o que você faça, o mundo coloca na tua cabeça que a avaliação masculina é essencial pra tua vida. Imaginem vocês, adolescentes inseguros, evitando sair da sala de aula no intervalo pra não passar por um corredor de homens três vezes maiores que você fazendo comentários em voz alta sobre a sua aparência. Imaginem ter homens maiores e mais velhos que você falando merda no teu ouvido e passando a mão no teu corpo sem você ter vontade. Sério, imaginem essa merda desde que você é pequena. Pois é,  dói. ISSO é objetificação e ela sempre vem mais violenta quando o alvo são mulheres. Tentem usar essa indignação por causa de um aplicativo que vai perder a graça em meses para ter EMPATIA pelas mulheres. Eu juro que não dói.

EU SOU MUITO OPRIMIDO GENTE

Me acordem quando criarem um aplicativo que explane informações realmente importantes sobre os hômi: quem são os estupradores e agressores por aí. Enquanto isso: parem de choro. vlw flw

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18 Comentários
  1. Olá Karla. Gostei do seu texto, já li alguns sobre o Lulu e não vi nenhum colocando o quarto ponto que você menciona: “O LULU VAI GERAR BRIGAS ENTRE CASAIS FODEU CABÔ RELACIONAMENTOS”, gostei da sua posição. Outra coisa, talvez essa notícia aqui seja o primeiro passo para algo parecido com o aplicativo que você imagina no final do seu post. : )
    Lei britânica permite checar ficha policial de namorado:
    http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/11/131125_ficha_policial_dg.shtml

    • isso foi algo que eu ouvi em conversas pessoais, de fato, não vi mais ninguém comentar o ~potencial destrutivo~ de relacionamentos desse aplicativo.

  2. Pedro Regis permalink

    Muito boa colocação. Os homens “usufruem” da objetificação da mulher por séculos e ficam de birra por um mero aplicativo? Seria hilário caso não fosse trágico.

    Vi alguma objeções (feitas por uma mulher!) que defendeu o absurdo do aplicativo LULU porque caso houvesse um app o qual avaliasse as mulheres por hashtags como: #FraquinhaNaCama”, “#EngoleTudo”, “#Silicone” e “#TemCelulite, as feministas ficariam de mi mi mi. Sério isso? A blogueira que fez isso não deveria ser a primeira a entender como as mulheres sofrem isso na realidade através de cantas de rua e agressões físicas? Desonestidade intelectual, masoquismo ou os dois?

    Conheci o blog agora e fiquei fã. Ganhou mais um seguidor.

  3. Ana Luiza permalink

    Até que enfim um texto sensato sobre esse tal de Lulu. Até agora, o que consegui ler sobre foi gente classificando as usuárias do app como “recalcadas”, homem chorando as pitangas ou gente dizendo que o negócio é a vingança das mulheres.. Não aguentava mais, valeu.

  4. Paulo Rodrigues permalink

    na verdade esse aplicativo é danoso para o feminismo. o que ele está fazendo é legitimar a objetificação do ser humano do qual a mulher é a maior vitima.

    qualquer machista agora irá falar: ora se elas podem nós podemos tambem.

    além disso o aplicativo comete uma série de crimes e é obviamente inconstitucional.

  5. maria de lourdes permalink

    “Enfim, se você se incomoda de saber que teu namorado/marido teve outras mulheres na vida, ou que outras mulheres desejam seu namorado/marido, você vive em algum filme da Disney.”

    Se acha isso normal,por que reclama quando somos objetificadas ou quando nos acontece coisa pior?? Feminista adora defender putaria para depois reclamar das consequências dessa putaria! Como vocês são brilhantes!!Então,filhota,quem vive num filme disney é você,que acha que nossa atitudes vulgares são justificáveis e não devemos nos responsabilizar pelas consequências delas!!

  6. maria de lourdes permalink

    E nossa brilhante amiguinha feminista ainda taca pedra na tal “monogamia obrigatória”.Prega que o mundo é uma verdadeira orgia em que ninguém é de ninguém e depois vem de mimimi feminazi em relação á objetificação que nós sofremos? Ah,vai ser hipócrita assim lá na PQP!! quem mais incentiva a reitificação da mulher é essa piranhagem feminista!

  7. Lucas permalink

    Engraçado, tenho certeza que se fosse o contrário seria a “prova de uma sociedade machista, patriarcal, fascista, branca-heterossexual, conservadora” kkkkkkkkkkkkkkkkk essa hipocrisia, cada cada vez mais engraçada.

  8. As mulheres são fortes, decididas e inteligentes (em sua grande maioria) mas precisam deixar de lado esse sentimento de “ser menor” de “ser vítima” … á pelo que lutar e com essa mentalidade as mulheres continuarão se sentindo diminuídas.. o argumento de “anos de submissão” já não cola, as desigualdades estão dos dois lados. por exemplo, o Lulu é um aplicativo de entretenimento, o Tubby (que nem existe ou vai existir) seria também de entretenimento.. Se sente prejudicada por ter seu nome em um deles? ótimo, recorra à justiça, não à delegacia da mulher. Porque? porque se homens e mulheres se sentem lesados por um App que fazem a mesma coisa (ou próximo) e só mudam o gênero a que atingem, porque a mulher tem uma delegacia p mulher e o homem uma delegacia para homem e mulher?
    Se um homem pode ser avaliado, a mulher também pode, se acham que o app para mulher é ofensivo, isso é você quem está dizendo. Porque se eu achar que #curteromerobritto é ofensivo, quem é você pra dizer que não é?

    Entende? é como se falasse que é ofensivo o que me ofende, e engraçado o que só ofende a você!

    • alinehenning permalink

      Simplesmente porque existe um crime que foi banalizado e calado por muito tempo, que tirou vidas de muitas mulheres e ainda tira, que é a violência à mulher, não preciso nem dizer que a grande maioria dos agressores são homens e próximos à vítima, muitos são maridos e namorados, todos já sabemos isso pelas campanhas. Então, esse crime acontece em larga escala e ainda é um tabu, as mulheres relevam muito o parceiro, e muitas tem medo também, a delegacia da mulher foi um grande braço acolhedor dessas mulheres que precisam de ajuda e se calam e a delegacia é também uma expressão grito de socorro, assim como a Lei Maria da Penha, que não tem nada demais além do que já havia (para homens e mulheres), mas que não estava funcionando por descaso e banalização do crime, o homem era liberado pouco depois e voltava a agredir a companheira. Um dos casos foi da Maria da Penha, que chamou a polícia inúmeras vezes e não foi feita muita coisa. Depois que ela ficou paraplégica o caso dela ficou famoso, e mais tarde, a nova lei ganhou o nome dela. Isso tudo foi um grande protesto, para a educação dos presentes e futuros homens, o país tem que agir por manobra de massa para atingir objetivos reais (você já ouviu falar disso alguma vez?). Hoje em dia temos também em muitos lugares o vagão feminino em metrôs, justamente por altos números de mulheres violentadas dentro dos mesmos. Abre os olhos, menino, coloca no google aí, não é difícil não. A Marcha das Vadias é um movimento que nasceu no Canadá em protesto a uma matéria de jornal que publicou que os estupros estavam muito numerosos porque as mulheres teriam provocado os estupros por estarem “dando bobeira” na rua ou usar uma roupa curta… Culpando a vítima pela “fatalidade”. A Marcha se nomeou assim pela ideia: “Se ser livre é ser vadia, então somos todas vadias.” Você precisa pensar em todo o contexto que as coisas foram acontecendo, você mora num país, existem outros e todos coexistem… Como cada país lida com isso? Quais são as consequências em gráficos de cada forma diferente? Você não entende nada nem de pessoas e nem de políticas, e aliás, vejo um furo na sua cabeça, tente ler mais e se atualizar globalmente. E olha que eu só citei os piores casos, porque não tem muito como contar as cantadas dos velhos sebosos desde a nossa infância, a objetificação da mulher, sobre a ditadura da beleza e estética feminina, inferioridade enraizada profundamente por toda a civilização hebraico-cristã, preconceito relacionados à estudo, carreira, emprego, sexo, família, sociedade, enfim, praticamente tudo, as humilhações que simplesmente não existem para homens (a não ser que sejam gays)…

      “mas precisam deixar de lado esse sentimento de “ser menor” de “ser vítima” … á pelo que lutar e com essa mentalidade as mulheres continuarão se sentindo diminuídas.. ”

      Deixa eu ver se eu entendi… Nós temos uma espécie de complexo de inferioridade, e lutando contra esse “mal invisível”, nós potenciamos esse mal e nos prendemos mais a ele. É isso???

      É, realmente, um homem, branco, CIS, hétero, classe provavelmente média pra cima… Seria estranho alguém assim não enxergar as consequências do preconceito.

      **talvez eu tenha sido enfática demais, desculpe, mas se doeu, era pra doer.

      • Fábio da Silva permalink

        “as cantadas dos velhos sebosos”. Preconceito contra idosos detectado. Então se as cantadas fossem feitas por homens jovens, não haveria problema? Lutam contra o preconceito, mas são as mais preconceituosas.

  9. Eu só corrigiria a parte que diz “…quem acha que mulher é assexuada”
    Motivo: http://assexualidade.org/posts/5
    Pega meio mal

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