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Sobre santas quebradas e violência

julho 28, 2013

Aconteceu, neste sábado (27), a Marcha das Vadias do Rio de Janeiro (MDVRJ). Há meses, ela estava marcada para acontecer em Copacabana, a partir das 13h. Por problemas de logística (por pura incompetência, na verdade), os eventos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) que ocorreriam em Guaratiba, na zona oeste do Rio, foram transferidos para Copacabana. E é claro que mantivemos a marcha por lá.

A Marcha saiu do posto 5 de Copacabana até o posto 9 de Ipanema. Eu não gostei desse trajeto. Penso que manifestações existem para trazer algum incômodo, parar o trânsito, quebrar a normalidade. Acho que o mais interessante teria sido andar pelo bairro de Copacabana, gritar para o bairro inteiro ouvir, inclusive os peregrinos católicos. Mas, fora isso, achei o saldo da marcha positivo.

Sim, eu gostaria de ter realizado um confronto – ainda que na base dos gritos. Mais um, na verdade, pois alguns peregrinos passaram pela concentração da marcha aos berros de “viva o papa! Viva a igreja!”. Houve resposta, é claro. Acredito que tenha sido nessa hora que um peregrino cuspiu na cara de uma manifestante. Este é um dos motivos pelos quais as estátuas quebradas não me incomodam: me compadeço muito mais por uma pessoa agredida do que por um pedaço de gesso.

Chegamos, afinal, à principal polêmica que a MDVRJ trouxe: uma performance artística em que um casal de manifestantes seminus quebrou estátuas de santos católicos. Claro que esta polêmica foi construída de fora, pela mídia. Eu estava lá enquanto a performance foi feita, mas sequer consegui vê-la, pois havia um círculo de pessoas ao redor dela e eu, baixinha, não consegui ver nada mesmo na ponta dos pés. Durante a marcha, não vi ninguém comentando sobre isso. Só fui saber o que houve horas depois, já voltando para casa, através de comentários na internet.

Não condeno a performance porque não me importo com a destruição de um símbolo opressor. Digam o que quiserem, mas, para mim, aquelas estátuas não passam de símbolos de uma instituição responsável por oprimir mulheres, indígenas e negros durante milênios. Aquelas estátuas simbolizam as pessoas que torturaram e queimaram vivas milhares de mulheres na inquisição. São o símbolo da instituição que condena a autonomia das mulheres. São o símbolo de uma instituição misógina. Nada mais justo que fossem destruídos numa marcha política. Afinal, não podemos esquecer que a Igreja Católica é uma grande instituição política com grande influência no estado brasileiro – que deveria ser laico, mas nunca se livrou deste ranço que vem desde os tempos da Colônia.

O grande respeito que a igreja nos concede: dizer que estupro é relativo

A aprovação ou não deste ato depende das convicções políticas de quem o avalia.  Eu acredito que não há diálogo possível com quem nos oprime e que, se alguém deseja fazê-lo, uma manifestação não é o momento pra isso – o diálogo tem que ser feito previamente. Existe o diálogo, feito principalmente através do grupo Católicas pelo Direito de Decidir, que são um grupo minoritário lá dentro.  Mas muitas de nós não estão dentro da igreja católica, o que já exclui qualquer diálogo por parte dela, que não costuma dar ouvidos a quem não se curva a seus dogmas. Portanto, a possibilidade de um diálogo é ínfima. E eu não acho que nossas ações políticas devem se limitar a isso. Não devemos nos limitar ao diálogo com quem cospe nas nossas caras, literal e simbolicamente, todos os dias. Eu acredito muito mais em enfrentar os opressores como ação política. Portanto, não posso condenar quem o faz.

Condenar esta performance artística, pra mim, é uma hipocrisia tão grande quanto chorar pelas vitrines quebradas da Toulon e dar de ombros aos 13 mortos na Maré, ou ignorar o pedreiro Amarildo, que desapareceu na Rocinha após ser levado de casa por policiais da UPP. Não consigo me compadecer por pedaços de gesso quando tantas mulheres são despedaçadas todos os dias fazendo abortos clandestinos, quando são despedaçadas pela violência doméstica, por estupros; quando tantos LGBTs são agredidos e mortos todos os dias. A Igreja Católica também carrega responsabilidade por todo este sangue derramado quando fomenta intolerância e misoginia.

Não acho que seja possível classificar isso como intolerância religiosa. Duas pessoas resolveram quebrar as estátuas que elas compraram em um espaço público, durante um ato político. Ninguém invadiu uma igreja, impediu as pessoas de rezarem e despedaçou as imagens lá dentro. Porém, isso acontece o tempo todo nos terreiros de candomblé, nos centros de umbanda, mas não há a metade da indignação por parte da mídia e do público em geral. O recado é claro: existem religiões mais respeitáveis que outras. Dá pra distinguir uma da outra pela cor da pele de quem a pratica.

Como qualquer ato político, nem todo mundo vai concordar com a quebra das estátuas. E, como qualquer performance artística, ela tem milhares de interpretações possíveis. Porém, acredito que atos políticos não deveriam ser feitos com simpatia e cordialidade, mas devem quebrar a normalidade, agredir o status quo, porque é contra isso que nós lutamos.

UPDATE: pra quem fez questão de não entender nada e tá de chororô porque eu fui muito intolerante, espero que se compadeçam igualmente dos terreiros de candomblé e centros de umbanda do Rio. Segundo O Globo, metade deles já sofreu algum tipo de discriminação. Beijão.

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53 Comentários
  1. Excelente texto. Parabéns. Colocou de forma muito clara uma posição que concordo 100%. Não adianta fazer manifestação em alto mar, se quem precisa ouvi-la e senti-la está no conforto de suas casas, abusando de suas mulheres. Acho que o trajeto dela deveria ser sim as ruas de Copa.

  2. Roberta permalink

    Não sou católica e para mim santos e outros símbolos não têm nenhum significado especial, mas se lutamos contra a opressão não podemos reprimir o direito do outro de professar a sua fé. Esse tipo de violência simbólica acontece a toda hora conosco, que fazemos parte de religiões de matriz africana e lutamos todos os dias pelo respeito à nossa fé.

    • foi exatamente o que falei. ninguém proibiu os católicos de professarem sua fé. todo mundo saiu inteiro, nenhum direito foi violado.

  3. Fred da Costa permalink

    Sou ator, espírita e simpatizante de movimentos sociais, achei o texto interessante (não cabe dizer se concordo com os argumentos ou não) porem, classificar a performance como “artística” fere mais que os atos de intolerância contra a intolerancia

  4. boa. Além do mais, só pela marcha ser feminista, não há chance da mídia deixar em paz. Sempre haverá algo para culpar a manifestação, ter quebrado as imagens não fez tanta diferença.

  5. Isa permalink

    Karla, li seu texto e em seguida li as postagens e suas respostas à elas. Me pareceu que você está muito reativa, acolhendo pouco o que o outro tem a dizer. Acho que seria bom procurar escutar mais o que o outro tem a dizer, não precisa concordar, mas ouvir e se abrir para refletir sobre o que o outro disse. Não sei se faz sentido para você mas, para mim é bom estar aberto para o diálogo e sair da defensiva.

  6. Tamiris permalink

    Seu texto, apesar de muito bom em certos trechos, deixa transparecer por si próprio a intolerância,. Como assim “religiões mais respeitáveis que outras”? Eu reli essa frase mais de uma vez, pra ver se não tinha lido errado. E pior que isso é o complemento: “dá pra distinguir pela cor de quem a pratica”.
    Esse feminismo burguês e fanático é pior do que qualquer religião. Só cria gente burra. Quer dizer então que só tem negros em umbanda? E só brancos católicos? E um umbandista deve ser mais respeitado que um católico, que um evangélico, um protestante?
    Minha filha, em que mundo de cristal você vive?
    Vocês não merecem respeito, não são dignas de tal. E, através desse ato só conseguiram maior repulsa (sim, reconheço que não foi de cumplicidade de todos do grupo, mas eles desmoralizaram todo o movimento). Acham que não é grave quebrar imagens católicas, e introduzir no ânus na frente de CRIANÇAS?
    Nojento, repulsivo e repugnante ao extremo. Vocês não representam ninguém, nem vocês mesmas… Torço para que algum dia apareça um feminismo que, de fato, contemple a mulher. Não a mulher da elite que só sabem revindicar roupas curtas e aborto. E sim um movimento que contemple a mulher por completo, rica ou pobre, ateia ou religiosa…
    Mas, para algo vocês servem: exemplo a não seguir!
    Se sou machista por pensar assim, serei com orgulho. Eu e a maioria das mulheres desse país! Afinal, numericamente, vocês não são nada mesmo!
    Abraços!

    • Acho que você entendeu errado o que escrevi, ou não ficou muito claro. Eu quis dizer que o cristianismo, especialmente o catolicismo, atualmente é uma religião mais ligada às elites. Ao contrário das religiões de matriz afro que, desde seu surgimento, são ligadas às camadas mais excluídas da sociedade. E, no Brasil, as pessoas mais excluídas em geral podem ser identificadas pela cor de sua pele.

      • Segundo o IBGE, dos mais de 123 milhões de católicos no país, 6,77% se declaram negros e 43,04% pardos. Levando em conta que no Brasil, também segundo o IBGE, 7,61% da população é negra e 43,13% parda percebe-se que sua teoria de que o catolicismo é ligado as elites é muito furada. Infelizmente não dá para consultar por renda, por isso a consulta pelas etnias afro-descendentes. Na verdade a população católica é de maioria negra / parda, o que não poderia ser diferente, tendo em vista que é essa a configuração do país.
        Toda religião deve ser respeitada, o que não ocorreu no seu texto e nessa manifestação absurda promovida por essas pessoas.
        Assim como toda etnia deve ser respeitada. Também existe racismo contra brancos, temos neste texto um caso.

      • HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHA

  7. Que coisa, quebrar símbplos católicos não foi nada, são só gesso e madeira, concordo !
    O triste foi ver eles enfiarem os pedaços de madeira no anus.

    Vcs minimizam as coisas. a imprensa aberta só falou sobre a imagem quebrada. Só quem estava lá viu o q quebrar estátuas foi o de menos.

    De qualquer forma , paira ainda a dúvida de como um homem em posição de quadradinho de 8, sendo penetrado por uma pedaço de madeira quebrado com camisinha, ajuda a garantir o direito a autonomia das mulheres, etc, etc, etc.

    • A imprensa sempre vai achar algo pra criticar nos movimentos sociais. Sempre. Eu acho que não devemos nos pautar por elas.

      Acho que o questionamento da eficácia da performance bem válido. mas eu me recuso a criminalizar e condenar quem esteve ao meu lado na marcha (eu estive lá também durante todo o percurso)

      • Sônia permalink

        Hahaha, respostinha padrão, ficou sem argumentos né filhota! Não sabia que os movimentos sociais incluíam enfiar pau no cú na frente de crianças e senhoras e espatifar símbolos importantes para os catôlicos que estavam lá só e unicamente pra rezar! E a culpa é da imprensa, sei!!!! Questionamento da eficácia da performance, que performance? Aquilo foi uma bizarrice sem sentido algum. Continue não condenando quem esteve ao seu ladinho na marcha, e assim com esses “atos” de extrema “retardadice mental”, a marcha vai se acabando!!! Ah, e antes que eu me esqueça, deixa de ser hipócrita dizendo que não viu nada e nem soube de nada do que aconteceu, só bem mais tarde, isso é ridículo!!!!!
        Isso não é e nunca foi lutar contra as opressões às mulheres e outras minorias, eu tinha algum respeito à esta marcha, agora zerou!!!

      • nossa, lamento muito por vc não apoiar a marcha. que grande perda pra nós.
        e ainda me acusa de ser mentirosa.

  8. adrianavargas44@yahoo.com.br permalink

    O que vcs ganharam com isso além de uma enorme antipatia?
    Entendo e aceito o movimento mas a “performance artística” foi de extremo mau gosto e ofensiva,
    Dá próxima vez que ocorrer a Marcha das Vadias ao invés de vcs serem lembradas pelos pontos tao relevantes que vcs lutam serão lembradas pelo grupo que quebrou imagens religiosas, que enfiaram no anus, que apareceram nus.
    Realmente uma pena, nós mulheres perdemos uma chance de mostrar dignidade pelo o que lutamos.

    • não me importo com isso, sinceramente

      • maria de lourdes permalink

        Claro,claro FILHOTA! não se importa com isso..e depois reclama que muitas de nós mulheres não nos importamos com o feminismo!! Nem memso a opinião das próprias mulheres você aceita,é assim que nos defende???

        Eu so vi você responder como se fosse uma adolescente mimadinha de Beverly Hills,tipo,” faço o que eu quero e f* os outros” mas quando adotam sua filosofia,aí não presta.Democracia é para os 2 lados: fez vai levar,e sem esse mimimi besta típico de feminazi.

  9. Edelson J Nicoluzzi permalink

    Pau na santa, no papa e em todo sistema opressor & corrupto, I love this bihtch’s!

  10. Fred Masson permalink

    Quem prega o respeito não pode concordar com o desrespeito. Atitudes radicais, qualquer que seja sua motivação, perdem a razão. Sua opinião é contraditória.

    • A gente apanha, apanha, apanha, leva cusparada na cara, é obrigada a ver miniatura de feto de plástico sendo distribuída. Aí quando revida e realiza uma agressão simbólica à instituição, perde a razão? Discordo.

      • Fred Masson permalink

        Você discorda da Igreja e de suas práticas e por isso acha que ela pode ser desrespeitada. Nesta lógica, quem discorda do feminismo e de suas práticas também pode desrespeitar as feministas. Intolerância gera intolerância. Olho por olho e todos sairão cegos. Me desculpe, mas não concordo que quem clama por respeito aja com desrespeito. Sou católico não praticante, mas também adepto a princípios de diversas religiões, sempre defendi o direito das mulheres, dos gays, dos negros, enfim, defendo o respeito e a igualdade, independentemente da bandeira, e sim, me senti ofendido com este ato ridículo, demonstração inesperada e inadmissível de intolerância.

      • Não dá pra comparar uma coisa à outra. É uma falsa simetria. Além disso, movimentos sociais, mulheres e LGBTs JÁ SÃO desrespeitados o tempo inteiro.
        Direito seu de se sentir ofendido.

  11. Pessoal, olha aqui: quando a Instituição Católica diz que nós, mulheres, não podemos fazer sexo, antes do casamento, não podemos optar pelo aborto e não podemos pedir ao parceiro que use camisinha, porque tudo isso é pecado, está chamando a todas nós de “vadias”. Sim, é isso mesmo, ou alguém aí optou pelo sexo apenas depois do casamento, ou deixou de usar contraceptivos por conta das orientações papais? Se assim não o fez, para a Igreja, é “vadia”, e ponto final. Nesse contexto, admito, sou “vadia”, com muito orgulho!
    A Igreja católica é assim: sai distribuindo pecados, morte e desgraça pelo mundo, ao recusar o aborto, por exemplo, e reprimir o uso da camisinha… e são as “vadias”, e suas performances, as violentas? Auto lá! Violentos são os gestores da política opressiva da Igreja.
    Sim, as “vadias” optam, politicamente, por uma linguagem agressiva, frente à agressão Institucional Católica, e têm todo o direito de fazê-lo. E não venham me dizer que a postura política das “vadias”, diante do horror que é a Instituição Vaticana, é intolerante ou agride o direito religioso de quem quer que seja. Intolerante e agressiva é ela, a Igreja, que nos toma, a todas nós, mulheres, como seres que não podem responder por si e viver sua sexualidade com prazer e liberdade.
    O Vaticano é um horror. Espalha morte e perseguição por séculos… E continua em pé… Sabem por quê? Porque nossa “tolerância religiosa”, com a pedofilia, a corrupção e a homofobia, assim o permite. Cortina de fumaça, galera! É a nossa “tolerância” com os descaminhos da Igreja, historicamente ao lado dos opressores, que é, de verdade, criminosa.
    Parabéns pelo texto, Karla T. E parabéns a todas as vadias, por permitirem discussão sobre um tema ainda carregado de falso moralismo, conservador e retrógrado.

  12. Rafael permalink

    Para mim não é questão do que a igreja fez no passado, concordo que fez, e até hoje tem inúmeras coisas erradas, mas é questão de respeito, se é um simbolo que para eles é sagrado é necessário respeito, tudo bem que uma manifestação tem que chamar atenção, mas existe melhores formas de chamar atenção com respeito e que tenho certeza que conseguiam chamar mais atenção, de forma a alcançar o ideal defendido. Penso que quem apoia uma marcha feminista e apoia uma manifestação desse tipo, não iria gostar se em algum tipo de manifestação simulassem ou fizessem algum ato ou encenação contra a mulher ou alguma outra causa defendida, nem as feministas gostariam e nem ninguém com o minimo de senso possível.
    E sobre as religiões africanas, também penso que merecem respeito, assim como qualquer outra religião ou crença, mas também não gosto da ideia de justificar um ato contra um simbolo católico afirmando que religiões africanas sofrem discriminação, e sim exigir respeito a ambos.

  13. Deborah permalink

    Gostei muito do teu texto, Karla T. E um recado pro pessoal que pede respeito para os símbolos da Igreja: só vou respeitar um objeto de gesso quando a Igreja respeitar de verdade um ser humano feito de carne e osso. Beijos.

  14. Bruno S permalink

    Karla,

    dessa vez vou discordar de você.

    Também estou cagando para as estátuas que nada me significam e para uma igreja historicamente opressora.

    Só acho que é um protesto que erra o alvo e taticamente ruim.

    Acho que erra o alvo, porque não vai machucar a igreja duas pessoas quebrando imagens não consagradas. Acho que a atitude confronta o sentimento de milhões de pessoas que tem suas santinhas e seus santinhos em quem se apoiam e fazem seus pedidos no politeísmo católico. Muitas dessas pessoas estão longe de serem católicos praticantes, possivelmente concordam com muita coisa da marcha e foram confrontadas.

    (É tão equivocado quanto achar que quebrar vidraças de agência de banco confronta o capital. Serve apenas para dar dor de cabeça nos trabalhadores e clientes da instituição. Embora tenha sua validade como forma de chamar atenção a um evento)

    Outro ponto que me incomoda é o tático. Uma marcha como das vadias está disputando as pessoas, a sociedade. Confronta o patriarcado com o ótimo mote do “somos todas vadias”. Atrai simpatia para um movimento minoritário. Uma performance dessa joga contr aisso tudo.

    Por último, acho que os atores foram de um exibicionismo egocêntrico absurdo ao aproveitarem o palco de uma manifestação que tem outro foco principal para darem seu show.

    Não acho que seja culpa da organização da marcha, de forma alguma esse evento. Só não consigo ver nada de bom no pequeno espetáculo.

    • É um ponto de vista. Não gosto de falar de táticas em manifestações pra ganhar adeptos porque entendo que isso é pra ser feito em outro momento. Entendo isso como um argumento semelhante a: “tudo bem fazer manifestações, mas precisa parar o trânsito? Quem tá voltando pra casa não tem nada a ver com isso”.

      Eu acho que manifestação é mesmo pra incomodar.

      Quanto ao alvo, na verdade acho quase impossível qualquer coletivo feminista, por maior que seja, sequer arranhar uma instituição tão poderosa quanto a igreja. Não em uma manifestação em que se evite o confronto (por isso eu disse que preferia andar por copacabana). Mas é pra isso também que serve o trabalho de base.

  15. Não concordo com a manifestação artística que ocorreu na marcha, não porque me ofenda com pessoas peladas, estátuas quebradas ou gravetos no rabo. Na verdade, não dou a mínima e isso não me atinge de forma alguma. Também não me importo se isso ofendeu as pessoas que estavam na marcha católica. Minha indignação é justamente por concordar com todos (ou com a maior parte, sei lá) os tópicos defendidos pela marcha das vadias. Legalização do aborto, direitos femininos, um país laico de verdade, dentre outras coisas. Não podemos negar que atos como este em nada ajudam na conquista dos direitos reclamados! Um político não vai criar um projeto ou votar a favor de um baseado em manifestações que tem esse tipo de visibilidade na mídia. Acho que a esquerda poeta que há neste país, responsável por textos de 15 páginas recheado de palavras difíceis e neologismos também deveria ser esperta assim na hora de fazer valer suas vontades. Muita utopia achar que os ideais da marcha serão conquistados porque alguém enfiou um graveto no rabo! Pelo contrário, tudo que tem um apelo negativo tende a não conseguir muita coisa. Vi os comentários acima e suas respostas e realmente não entendo o por quê da sua hostilidade algumas vezes. Imagino que você tenha o blog para argumentar com as pessoas sobre seus pontos de vista e de certa forma, angariar seguidores para o seu posicionamento/filosofia. A questão é: quem lê o texto e concorda com você, em nada foi acrescentado. Já quem lê e concorda em partes e nas partes que não concorda tenta conversar com você pelos comentários e é hostilizado, essa pessoa não é convencida de nada que você diz (nem mesmo nas coisas coerentes), pelo contrário, só percebe que a marcha da vadias (ou alguma coisa assim) não tem força política para REALMENTE acrescentar alguma coisa.
    Uma moça comentou acima algo parecido, dizendo que o movimento ganhou enorme antipatia com o ato e que por isso, muitos direitos femininos reclamados foram portos em segundo plano em detrimento da encenação artística. Você respondeu que não se importa! Depois dessa sua resposta, só percebo que você valoriza mais a marcha do que os direitos femininos.

    • Não me importo mesmo com a opinião pública, ou com a maneira como a mídia vai utilizar tudo isso, prq ambas sempre serão contrárias à luta das mulheres e acredito que a gente não deve ser pautar por isso.

      • maria de lourdes permalink

        então,significa que você não está nem aí para as mulheres..grande feminista você é! me comove até…

  16. Iranildo permalink

    Se a opinião pública não faz diferença pra vc, porque então vc escreve um texto para justificar os atos públicos cometidos pelo movimento? Se a opinião pública é indiferente, pq fazer movimentos públicos, pq o desejo de andar pelas ruas do bairro de Copacabana, gritando para que todos ouçam e saibam o porque do manifesto do movimento? Porque incomodar a população, o público se o que pensam ou acham não faz diferença!!!!!! O querem vcs indo às ruas?

  17. Cerise permalink

    Texto muito interessante e com pontos de vistas que concordo. Acho a Marcha das Vadias uma manifestação bastante válida em defesa do direito das mulheres embora tenha que concordar com todos que levantaram a questão: qual a relevância do graveto no rabo?! Honestamente não entendi a mensagem subliminar.
    Quanto a Karla T, autora do texto, embora tenha sido muito feliz no texto que escreveu, nas suas respostas aos comentários se mostrou não só antipática mas extremamente infeliz em suas respostas. Dizer que não está nem aí pra opinião pública é, no mínimo, contraditório. Se não liga para opinião dos outros qual a razão de ir às ruas defender seu ponto de vista? Qual a razão de escrever um blog? Realmente fica difícil entender qual o seu objetivo.
    Não pautar o movimento visando um apoio da opinião pública, ao meu ver é querer nadar e morrer na praia. Não conseguirão arranhar nem a Igreja, nem Governo e nem qualquer outra instituição que vá contra os objetivos que a Marcha visa alcançar. Então o que vocês pretendem? Apenas demonstrar sua indignação sem alcançar nenhuma mudança concreta? Mais uma vez não faz sentido.
    Quanto não se importar com o fato da Marcha ser lembrada pelo “lado negativo” da performance e não pelo o que ela reivindica, acho que você deveria rever seus conceitos. Se nem as próprias mulheres que concordam com o que a Marcha luta for capaz de se identificar com o movimento, todo e qualquer trabalho de base que vocês façam será uma perda de tempo. Em vez de angariar adeptos e simpatizantes, performances como esta e posturas como a sua só servirão para descaracterizar o movimento.

    • a opinião pública já é contra a marcha das vadias, o feminismo, a luta das mulheres. Se não fosse, nem haveria luta.

      essa discussão sobre opinião pública me lembra o começo das manifestações de junho. tinha esse papo de que deveríamos evitar responder às agressões policiais com violência, porque isso faria a opinião pública se voltar contra nós e não ganharíamos nada assim. Um mês depois de muita barricada, muita pedrada em vidraça, conseguimos o objetivo principal de reduzir o preço das passagens 🙂

      acho que há espaço para manifestações que ganhem a opinião pública. como há espaço para atos que vão chocá-la. a marcha das vadias é plural e dá espaço pra ambas. meu argumento é que a gente não deve se pautar pela grande mídia e pela opinião pública norteada por ela, porque ambas estarão contra as verdadeiras mudanças.

    • e, olha, isso aconteceu ontem. A marcha acontece há 3 anos. O feminismo existe há décadas, pra não falar das sufragistas. acho que a gente precisa de calma pra avaliar isso direito sem cair na histeria da mídia (que, novamente, é mais do que esperada)

  18. Iranildo permalink

    Esse ato não tem relação alguma com o movimento feminista. A causa feminista é série, respeitosa, digna e luta pela dignidade da mulher em todas as esferas e de todas as mulheres. O movimento feminista não tem objetivo de chocar quem quer que seja, mas promover a mulher e legitimar seus direitos. Essa macha não representa o pensamento feminista e os atos, sejam eles encenados ou não, foram um atentado violento ao pudor, uma falta de respeito com as pessoas e vandalismo público.

    • não sabia que vc tinha elaborado o estatuto do feminismo. vai confiscar minha carteirinha?

    • Iranildo, me desculpe eu tenho 61 anos, e sou feminista a 38 anos e estou achando ótimo as feministas desta 4ª onda, sou do movimento feminista e de uma das organizações de mulheres feministas que completou 32 anos e que foi fundado com mais 500 mulheres que se organizaram durante a ditadura militar, e mesmo com fala de liberdade também fomos exuberantes e conquistamos um espaço na sociedade , sim, um espaço político para que a ousadia destas mulheres jovens florescesse e, elas estão cumprindo seu papel e com apoio de muitos homens sensíveis a causa feminista. O feminismo quer chacoalhar , sim , esta sociedade quer chocar e sempre quis. e quer mudar esta sociedade de forma radical temos que desamarrar todas as amarras ideológicas milenares, sim, e o feminismo vê na Igreja Católica e Evangélica as principais barreiras e, e sustentáculos destas amarras, e que vêm nos desrespeitando cotidianamente e mamando no governo, nas trÊs esferas, escondidas nas Organizações Sociais. E em todas as conferencias nacionais de saúde e de mulheres, onde levam mulheres e as fazem defenderem propostas que muitas delas nem o conseguem…pq ao nos conhecerem faz despertar nelas o contraponto do quanto não são livres. Agora a Marcha das Vadias acontecem a pelo menos três anos e nunca vi as pessoas que dizem respeitar o movimento feminista a destacarem e elogiarem, mas o que tem de gente julgando, atacando, hostilizando e dizendo que é a Karla, dizendo que a mesma é contraditória, e o sendo. Faz-me concluir que realmente a Globo faz sucesso e não é a toa.

  19. Olá, meu nome é Vitor, sou católico e estou aprendendo muito sobre feminismo no grupo Coletivo Chute do fecebook. Eu gostaria de um direito de resposta a esse post e que ela fosse publicada aqui no blog. Existe uma abertura para isso? Se me for dado esse espaço, produzo um vídeo com a resposta, no qual a lerem. Obrigado!

  20. Parabéns, Karla nosso movimento feminista é complexo, plural, cheio de contradições. Que bom!Vamos seguindo nosso caminho e despertando para o debate. Sim. Ele sempre foi assim ousado nós feministas temos um papel a cumprir enquanto houver esta sociedade patriarcal\machista e capitalista. Portanto muitas outras gerações manterão esta chama acesa para que rompamos nossas amarras ideológicas definitivamente. E não será fácil seremos sempre atacadas porque ao darmos publicidade aos nossos desejos e nossas idéias, a ideologia dominante se sentirá abalada. Se não tivessem esta preocupação não teriam se esforçado tanto para organizar a juventude sabem que seu projeto político é atrasado e que não se sustenta por muito tempo.

    • Obrigada, Terezinha.
      Você tocou em um ponto fundamental: o feminismo é muito plural e, às vezes, contraditório. Normal. Cabe a nós enfrentar isso com bastante auto-crítica.

      O que estou defendendo com esse post é que a gente não pode ter medo. Medo de perder aliados ocasionais (por favor, quem desqualifica a marcha das vadias e o feminismo por causa deste incidente NUNCA foi e nunca será feminista), medo do confronto, medo da auto-crítica. Nada disso pode existir dentro de um movimento social que pretende ser transformador.

  21. maria de lourdes permalink

    hum..,,tudo bem..mas depois não reclamem da reação dos “opositores”e do nojo que muitas mulheres na atualidade tem sentido deste feminismo-piriguete que não nos defende em nada,só faz o possível e o impossível para que sejamos todas prostitutas.

    E se mulher é livre para fazer o que quiser sem arrependimento,por que atacam aquelas que são contra esta patifaria? ah,tá..são “mulheres machistas”,certo? Francamente…é uma pena católicos serem tão pacifistas….queria ver se as coleguinhas teriam coragem de fazer essa putaria na frente de uma mesquita ou sinagoga!!

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