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Chorume eterno dos conservadores sem noção

setembro 19, 2012

Muita gente odeia política. E é fácil entender o porquê: é muito difícil achar candidat@s que prestem no meio de tantos trastes que dominam a vida pública do país. Daí, o desânimo pra discutir e tentar fazer (ou pelo menos apoiar) algo novo acaba vencendo.
Eu sou bem o oposto: amo política e, felizmente, meu fôlego para fazer a diferença foi totalmente renovado pela candidatura do Marcelo Freixo à prefeitura do Rio de Janeiro. Acredito (e espero) que os novos ares vão se espalhar pelo país inteiro.

Outra coisa que renova meu fôlego (ao mesmo tempo que me mata de desgosto) é ver como os setores mais conservadores vêm marcado presença na vida pública do país – e, gente, não é coincidência que eles ganham força enquanto a política se torna um chorume tão grande que acaba afastando as pessoas, ok?

A Lola tuitou o seguinte link, que é desses que me dão desgosto e ânimo pra lutar ao mesmo tempo.

Grupos conservadores estão engajados nesta eleições

Então, fica aí o alerta: enquanto muita gente nem chega perto de política, não se organiza e nem quer saber dos movimentos sociais, essa gente ~do bem~ se organiza, faz barulho e acaba forçando seu conservadorismo goela abaixo do país inteiro. Quem não quer viver numa teocracia fundamentalista tem que superar o nojinho e partir pra briga.

Vamos conhecer melhor como pensam nossos heróis conservadores?

O ProVida é bastante conhecido no Congresso Nacional, onde faz barulho contra legalização do aborto e se mobiliza nos corredores com cartazes contendo imagens fortes, como de fetos mortos.

Grupos ProVida, que são a favor do direito do embrião e do feto. Mulher tem, no máximo, o direito de ficar caladinha. Por isso, prefiro chamar esse grupinho de Contra-Mulheres. É muito mais honesto.
Entre os diversos candidatos que apoia está o coronel da reserva Paes de Lira (DEM), da Polícia Militar paulista, que disputa uma vaga de vereador em São Paulo. Lira (…) diz que existe uma “ditadura gay” e uma “ditadura feminista”.
Em que país existem essas ditaduras, moço? Me conta, que eu quero morar lá!

Sua principal peça de campanha é um vídeo com depoimento de Elba Ramalho, onde ela diz tudo que o militar tem feito em defesa da vida.

 Olha, sei que estou generalizando, mas policial militar de SP e com esse discursinho podre de que defende a vida é uma grande contradição. Em geral, essa galera costuma ser a favor da vida – exceto quando é a vida de um negro pobre, aí a conversa muda, você atira primeiro e pergunta depois, essas coisas.

Daí que, numa rápida googlada para tentar conhecer melhor o traste em questão, encontro um vídeo em que ele fala, dentre outros assuntos, da militância do homossexualismo. É claro que eu não vi o vídeo porque acabei de comer e não quero passar mal. Mas, depois dessa declaração de que existe uma “ditadura gay”, é só somar 2+2 e concluir o óbvio. É aquilo: para os conservadores, o direito à vida (do embrião/feto) é inalienável, mas o direito à dignidade e o respeito aos chamados direitos humanos são relativos. Coerência: tem, mas acabou.

é plínio comenta, eu sei, mas foda-se

E os conservadores são bem previsíveis. Eles sempre são assim, SEMPRE. Posam de defensores do direito à vida, mas são os primeiros a passar por cima de Direitos Humanos mais básicos quando isso se torna conveniente. Ou seja, algumas pessoas têm mais direitos que outras.

O traste do DEM-SP faz questão de confirmar o quanto essa cambada é previsível na segunda declaração da matéria:

– Sou contra determinados grupos ter direitos próprios. Os direitos dos homossexuais são os mesmos de qualquer cidadão brasileiro. Não precisam de leis próprias e exclusivas

Diz aí, Coronel Hanz Landa:

Enfim. Quando eu achei que a coisa não poderia piorar, apresentam um candidato à reeleição (pela NONA vez) para a câmara dos vereadores do Rio de Janeiro. Wilson Leite, que pertence ao PP (Partido Progressista, a mesma legenda dos ilustres Bolsonaros) e é tão conservador que parece piada. O cara era vereador da UDN (um partido de gente que fomentou o golpe militar de 64) e condecorou o ditador chileno Augusto Pinochet.

Nas palavras do traste conservador aqui do Rio:

– No governo do Getúlio eram muitos os atos de corrupção, como hoje, infelizmente – afirmou Wilson Leite. – E fiz uma homenagem ao Pinochet porque ele realmente corrigiu uma série de aspectos negativos da vida. Reordenou a economia do Chile e moralizou a vida política de lá.

A reordenação da economia do Chile se trata de uma privatização tão cruel que praticamente extinguiu o ensino público do país, por exemplo. Hoje a população chilena colhe os frutos dessa reordenação, como dá pra perceber nas várias manifestações de jovens indignados que vêm ocorrendo no país.

Agora, se ele chama o golpe contra um presidente socialista eleito democraticamente e que levou a uma ditadura que assassinou opositores ao golpe de “moralização da política”… Bom, eu nem fico surpresa. Só fico muito desapontada por um traste desses ainda existir na política carioca. E por ele já ter passado por OITO MANDATOS.

Sério, gente, vamos pensar direitinho em quem a gente vota pra vereador.

Aí tem o tal vídeo da Elba Ramalho. Nem dá pra levar a sério, né, mas enfim. Quero destacar esse trechinho que expõe muito bem a verdadeira face dos conservadores Contra-Mulheres:

[o feto] veio se alojar no lugar que deveria ser o mais seguro, o útero da mãe. Por que atentar contra a vida guardada na caixinha de ouro, que é a barriga de sua mãe

Reparem que ela fala do útero da mãe, da barriga da mãe como sendo lugares quase que sagrados e que provavelmente ficam no céu, sei lá, porque ela nem lembra que o útero faz parte do organismo DA MULHER. Ou seja: a mulher fica em último plano, ela é reduzida ao lugar onde o bolinho de celulazinhas fofinhas e sagradas se aloja. Não dá pra ser mais claro o grande MULHERES: NÃO ESTAMOS NEM AÍ PRA VOCÊS que pauta essa cruzada (palavras deles) pela vida. A vida da mulher, um ser humano já formado e com toda a sua subjetividade delineada, está em último plano. Nem aparece. O importante é defender um bolinho de células e controlar o que as mulheres fazem com o próprio corpo. Nosso corpo, essa propriedade pública, esse campo de batalha política.

Quem fez o favor de elencar todos os trastes Contra-Mulheres que concorrem às eleições municipais de 2012 é uma ONG chamada Brasil Sem Aborto. São três palavrinhas singelas que escancaram o pensamento irracional dessa galera. Não custa lembrar que, de acordo com nosso código penal, o aborto é proibido salvo algumas exceções. E nem por isso, as mulheres deixam de interromper gestações indesejadas. Ou seja, queridos trastes conservadores, não é porque algo é proibido que ele deixa de existir. Nenhuma mulher que queira fazer um aborto vai mudar de idéia porque vocês acham errado. Proibir o aborto não significa que as mulheres não vão abortar, mas que vão arriscar a própria vida fazendo isso. Proibir o aborto não protege a vida do feto, nem a das mulheres. Não que vocês conservadores se importem com as mulheres, é claro.

Vamos ver o que diz um dos principais porta-vozes de quem é contrário aos direitos das mulheres:

É uma cruzada pela vida. Essa mobilização significa que não queremos intermediários nem depender de parlamentares que não tem vinculação com nossos temas. Queremos eleger nossas próprias bancadas, em todos os níveis de Legislativo

Ou seja, uma declaração clara de que esses trastes têm um projeto de poder estabelecido. E, como eu disse, eles se organizam para conseguir isso. Imaginem o estrago que uma bancada dos trastes Contra-Mulheres pode fazer se conseguir uma representação grande no Legislativo brasileiro.

Como eu já disse, o levante conservador tem sido muito forte. É um retrocesso esperado diante do quanto nós já avançamos na busca por nossos direitos e do quanto ainda estamos dispost@s a conquistar. Essas forças conservadoras não vão dar trégua e é por isso que quem está do lado oposto tem que se organizar para lutar.

Sim, lutar, porque nenhum direito é dado de boa-vontade para as minorias. Quem está no topo não larga o osso fácil. E quem é oprimido só muda isso se brigar.

Essa luta não é fácil e quase sempre o trabalho é de formiguinha. Mas quando as formiguinhas se unem, se tornam maiores e mais fortes.

Por isso, é tão essencial que quem se opõe aos conservadores entre na luta, discuta e participe. É verdade que as pessoas se afastam da política ao vê-la tão apodrecida, mas a nossa participação não deve se limitar ao voto de 2 em 2 anos. A sociedade civil tem que se organizar, fazer barulho e se defender desses ataques também quando não é ano de eleição. E, quanto à política, nós precisamos superar o nojinho inicial e ir com tudo pra cima deles. Não podemos deixar que eles vençam sem uma boa briga.

raise hell change the world

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