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Da série: Mitos sobre o feminismo – parte 4

setembro 16, 2012

Enquanto isso, na caixa de comentários de um post sobre o blog do hormônio…

Uma dúvida, no seguinte caso:
http://www.youtube.com/watch?v=tGyJRqlI6wA

Se fosse um homem cantando que iria colocar “chifres” na mulher, ou seja, fazendo apologia a traição e com isso destruindo diversos matrimônios.

As feministas se pronunciariam contra, ou somente casos “mais graves” ?

Eu comentei sobre isso, pois percebo o seguinte: Vivemos SIM numa sociedade machista, mas e as mulheres que acham que tudo pode? Que traem como se fosse a coisa mais normal do mundo? Usam de seus artificios e dotes para estrupar psicologicamente os homens…
A luta feminista não seria contra este tipo de mulher também?

Afinal muitos homens sofrem na mão das mulheres que fazem joguinhos de sedução para conseguirem o que querem…

Por motivos óbvios, eu não ia dar muita atenção para este comentário até perceber que ele se encaixa naquela série “Mitos sobre o feminismo”. Então, vamos lá. Trocando em miúdos, basicamente o comentário quer dizer o seguinte:

“As feministas colocam os homens como os vilões do mundo, quando ignoram as coisas ruins que as mulheres fazem! Vocês feministas acham que as mulheres podem fazer o que quiser sem receber críticas”

Começando pela música que, confesso, nem cheguei a ouvir, suponho que se trata de uma música que glorifica uma esposa que trai o marido. So what? Se a idéia é comparar essa música ao post do blog do hormônio, eu vou tentar explicar porque essas duas coisas são completamente diferentes bem devagarzinho, aos poucos, quase desenhando.

Eu, particularmente, acho que se você decide entrar numa relação monogâmica é porque você decidiu assumir um compromisso de fidelidade com @ parceir@. Nesse caso, acho traição algo errado. Agora, seja lá quem escreveu esse comentário, por favor, leia direito o post em que você comentou isso. Leia direito o que você comentou. Leia os dois novamente, só pra garantir que você entendeu que ESTUPRO É CRIME. Portanto, apologia a isso também é crime.  Só para resumir, em relação ao post do blog do hormônio, eu não estou denunciando algo que condeno moralmente, como uma traição dentro de um relacionamento monogâmico, mas uma conduta que pode ser considerada criminosa. Algo que está previsto no Código Penal brasileiro. Não tem o menor cabimento comparar uma música que glorifica o adultério e um vídeo (fictício) que glorifica o estrupro – e, sinceramente, se eu tiver que explicar isso, eu desisto.

Dito isso, cabe reforçar que o feminismo não defende que as mulheres devem ter carta branca para maltratar os homens, inclusive emocionalmente. Sério, gente, onde vocês andam (des)aprendendo sobre feminismo? Essa conversa de que mulheres são seres malévolos que usam diversos artifícios para enganar e manipular os homens, esses seres tão emocionalmente imaturos, me cheira a masculinismo puro.

cê jura?

Algum tempo atrás, estava conversando com um amigo sobre esses joguinhos emocionais praticados (segundo ele deixou implícito) apenas pelas mulheres. Eu confesso que não sou parâmetro para falar disso, pois quem me conhece sabe que detesto esse tipo de coisa. Sou bastante clara nas minhas intenções para com os rapazes que me interessam. Então, mesmo que isso não faça parte do meu cotidiano, não nego que esse tipo de coisa exista: esse meu amigo me contou como ficou semanas “em banho-maria” por causa de uma menina com quem ele flertava e que lhe dava sinais muito confusos a respeito do seu interesse por ele. Mas eu acredito que, se as mulheres realmente são tão mais inclinadas a fazerem joguinhos em seus relacionamentos, é porque vivemos numa sociedade que valoriza a mulher que diz não. Uma sociedade que separa as mulheres que servem para casar ou para ficar, que desvaloriza as mulheres consideradas fáceis.

Além, é claro, de vivermos numa sociedade que valoriza os homens que não entram em contato com as próprias emoções: como alguém pode ser emocionalmente maduro se não aprende lidar com esse tipo de coisa? Então, sinto avisar que quem condena esses joguinhos tão cruéis estaria a um passo do feminismo – pena que quem engole isso são inclinados ao masculinismo. Não deve ser fácil fazer tanto malabarismo mental para criticar e defender o mesmo sistema opressor ao mesmo tempo.

De uma vez por todas: não gosto de falar em vilões, então prefiro dizer que as nossas críticas são voltadas para o patriarcado, não os homens. A maioria de nós é bastante sensata para criticar comportamentos machistas, mas sem colocá-los como exclusividade dos homens, pois não é assim que a coisa funciona. Não colocamos a responsabilidade de um problema social nos ombros de indivíduos específicos (no caso, os homens cis héteros). Entendam que não existe uma guerra dos sexos, mas uma guerra ao patriarcado. Uma guerra contra um sistema que oprime todo mundo, não apenas as mulheres.

É o patriarcado que diz que homens são estúpidos, monolíticos, incorrigíveis e incapazes. É o patriarcado que diz que homens têm instintos animalescos e simplesmente não conseguem evitar cometer assédios e abusos. É o patriarcado que diz que homens só podem ser atraídos por certas qualidade, só podem ter determinados tipos de respostas, só podem ter experiências estreitas no mundo.

O Feminismo defende que homens são capazes de mais – e SÃO mais do que isso. 

(imagem e tradução tiradas daqui)

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