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Somos tod@s os homens e as mulheres das relações

setembro 3, 2012

(Alerta: esse texto trata de papéis de gênero nos relacionamentos héteros cis, embora, é claro, existam vários tipos de relacionamentos possíveis por aí)

all you need is love

Há poucas expressões que me causam tanta ojeriza quanto “mulherzinha/macho da relação”. Normalmente ela é usada quando se discutem relacionamentos amorosos e significa que alguém não se encaixa nos papéis normais. “Fulano é a mulherzinha da relação, é tão romântico” ou “Fulana toma sempre a iniciativa com os namorados, é o macho da relação”.

Gente, por favor: PAREM.

APENAS. PAREM.

Já me questionaram se eu odeio essa expressão porque não acredito que certos papéis num relacionamento são de mulheres e outros, de homem. É verdade que eu não acredito nisso, mas não é só por esse motivo que esse tipo de frase me mata de raiva.

Não, eu não acredito que certos papéis são de um gênero ou outro (ou nenhum dos anteriores). Não acredito que esses rótulos surgem naturalmente porque é assim que as coisas são. Papéis de gênero são construídos socialmente. Nós aprendemos, desde pequenos, o que a sociedade espera de nós enquanto homens e mulheres em todos os aspectos da vida. Quando alguém diz que mulheres/homens são assim ou assado, determinado comportamento que é construído socialmente (e, portanto, pode mudar muito ao longo da história humana) se torna naturalizado e imutável. Afinal, ninguém é capaz de mudar a natureza.

Só que não é bem por aí. Apenas para ficar num exemplo simples, as regras do que é aceitável para homens e mulheres num flerte mudaram muito de uns 50 anos para cá. Não é incomum rir ou ficar espantado ao ouvir a maneira como os nossos pais ou nossos avós se conheceram e começaram seus relacionamentos. Aqui no Brasil, mulheres que tomam a iniciativa num flerte ainda podem ser condenadas, enquanto isso pode ser considerado bastante natural em um país como a Suécia. Eu juro que fico até espantada ao ver que quem naturaliza os papéis de gênero esquece que há menos de cem anos, usar calça comprida não era coisa de mulher. Se ninguém duvida que as regras de vestuário são construídas socialmente, por que acreditar que o mesmo não ocorre nas regras de relacionamento?

e usar saia é coisa de mulher, sempre foi, é natural isso

Como eu sempre digo que o feminismo também busca libertar os homens dos papéis opressores, esse tipo de expressão também me deixa irada por limitar os comportamentos que são aceitos para eles. Boa parte das vezes, o cara é “a mulherzinha” da relação quando é romântico, carinhoso, sensível, demonstra o que sente. Ou seja, esse é um rótulo extremamente cruel porque impõe aos homens que limitem sua própria afetividade porque isso os torna menos homens. E é claro que numa sociedade machista, não há nada mais degradante do que não ser homem.

Mas acho que o pior de tudo é quando dizem que “Fulana é o homem da relação” quando se trata de uma menina que toma a iniciativa, que é autoritária, toma a maioria das decisões do casal. Ou seja, quando a garota não aceita seu papel natural de ser obediente e passiva em relação ao homem. É de um machismo tão grande, uma opinião tão arcaica, que tenho a sensação de levar um soco no estômago ao ouvir uma coisa dessas. E o pior, o que mais me dói, é ouvir uma opinião dessas ser cometida por gente jovem, com seus 20 e poucos anos.

fico absurdada com um troço desses

Eu fico pensando se tive o privilégio de uma criação muito liberal ou se essa galera teve o azar de ser criada num meio extremamente retrógrado. O que, pra mim, não é uma desculpa válida – principalmente quando se trata de gente nascida e criada muito tempo depois das revoluções feministas. É verdade que o mundo tende a ser bastante machista e conservador, mas é verdade também que ninguém vai mudá-lo se não começar mudando a si mesmo. A começar, quem sabe, pelos pequenos preconceitos que validamos sem perceber.

o que você está fazendo para melhorar as coisas?

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