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Da série: mitos sobre o feminismo – parte 3.2

agosto 16, 2012

No capítulo anterior desta série, comecei a falar de sobre o mito de que feminismo é apenas o contrário do machismo, um movimento de mulheres que odeiam os homens e querem ser superiores a eles. O post acabou ficando muito longo e eu escolhi dividi-lo.

Dito isso, vou desmembrar as “bandeiras” usadas para criticar a luta feminista de que falei no começo, uma por uma:

“Alistamento militar obrigatório para as mulheres também!”

Permita-me corrigir para uma bandeira mais justa: “alistamento militar obrigatório para ninguém!”. Ninguém deve ser obrigado a assumir um cargo que não quer. Ponto. Esse argumento parte do princípio de que dois erros formam um acerto. Agora, já pararam pra pensar por que as Forças Armadas Brasileiras consideram que só os homens são aptos a servi-las? Porque essas instituições são machistas e conservadoras pra cacete. Basta fazer uma pesquisa rápida pelo histórico de uma delas para constatar isso. O Exército  foi a última instituição das Forças Armadas a aceitar mulheres em seus quadros. Mesmo uma mulher que lutou pela Independência do Brasil (!) só foi obter reconhecimento da instituição em 1996. Pior ainda: o Exército só permitiu que mulheres entrassem em seu Curso de Guerra na Amazônia em 2010 (apresentado nesta reportagem  como “curso de macho”. Porque ter coragem e resistência física é coisa de homem, né?). Já dá pra enxergar um padrão: apenas homens podem servir ao Exército porque só eles têm força física, coragem, resistência ao estresse, portanto, só interessa que eles se alistem.  Mulheres são fracas, emotivas, incapazes de se controlarem. Ana Néri se voluntariou para cuidar dos filhos na Guerra do Paraguai porque estava de TPM.

Porque ser enfermeira e tratar um monte de gente mutilada e desfigurada pela guerra deve ser um trabalho super tranqüilo.

Como eu disse anteriormente, o machismo oprime os homens também. Então, se por um lado, uma sociedade machista dá privilégios aos homens por considerá-los superiores, isso dá a entender que há um preço a pagar: a obrigação de “servir a pátria”, inclusive correndo o risco de morrer em combate. Ops. A pergunta que fica é: já que esta é uma questão tão importante para tantos homens, por que eles não se unem a outras pessoas (sim, as feministas) que lutam contra o mesmo problema (sim, o machismo)?

(É óbvio que eu não concordo com nada disso. Sequer concordo que guerras deveriam existir. A Lola falou mais sobre isso )

“Aposentadoria para homens e mulheres na mesma idade!”

Eu não concordo com isso por um único motivo: mulheres trabalham mais! Trabalham mais porque arcam com todo o serviço doméstico após um longo dia de trabalho. E dificilmente alguma delas é remunerada por esse serviço ou tem direitos trabalhistas, como férias (apenas recentemente as donas-de-casa ganharam o direito à aposentadoria pelo INSS ).

Eu luto por uma divisão igualitária do trabalho doméstico. Que esse tipo de serviço não seja encarado como obrigação da mulher, mas como responsabilidade de todo mundo que divide a mesma casa. Quando isso acontecer (e eu espero que seja em breve), será mais do que justo que mulheres e homens se aposentem com a mesma idade.

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From → feminismo

One Comment
  1. cenas do próximo capítulo: “Fim da Lei Maria da Penha! Homens também sofrem violência doméstica, vamos protegê-los!”

    vou dizer que já ouvir sugestão de criarem a delegacia do homem.

    tô esperando o post.

    bjo

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