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Da série: mitos sobre o feminismo – parte 3.1

agosto 15, 2012

Mitos sobre o feminismo #3: “igualdade coisa nenhuma: as feministas odeiam os homens e só querem ser superiores a eles, tendo mais direitos! Por que vocês não brigam pelo alistamento militar obrigatório? Aposentadoria na mesma idade? Lei protegendo os homens da violência doméstica? Mais atenção dos SUS às doenças que afetam os homens, como câncer de próstata? Suas feminazis!”

O engraçado dessa acusação é que, em geral, quem cobra que as feministas defendam estas e outras bandeiras são justamente as pessoas que nunca se mexem para fazer o mesmo. É como aquelas pessoas que apontam o dedo na cara de defensores de animais, por exemplo, fazendo críticas sobre outras causas mais importantes: “com tanta criança passando fome, com tanta gente morrendo nas filas de hospitais, você fica aí com pena de cachorro?”. Normalmente, essas pessoas não fazem nada para ajudar as crianças famintas ou para dar uma saúde decente para todos, mas se acham no direito de definir quem pode lutar pelo quê.

Mas esse mito em particular é errado em tantos, mas tantos níveis que será preciso desmembrá-lo.

Em primeiro lugar, o feminismo não é um movimento de mulheres que odeiam os homens. Algumas de nós gostamos muito deles, por sinal (e eu me incluo nesse grupo). O feminismo também não é apenas o contrário do machismo, um movimento que prega a superioridade feminina. Segue uma imagem simples para resumir o básico do básico sobre essa discussão:

Além disso, que é apenas o básico que todo mundo deveria saber sobre machismo e feminismo, é importante lembrar que uma sociedade machista acaba oprimindo os homens também: um exemplo corriqueiro, mas muito emblemático, é que som@s criad@s a vida inteira ouvindo que meninos não choram. Homens são ensinados a vida toda que não devem ser sensíveis, não devem expressar emoções ou sinais de (suposta) fraqueza. Isso, além de opressor, é prejudicial para a saúde emocional de qualquer um – é por isso que, apesar de os dados epidemiológicos de vários transtornos mentais apontarem que a maioria d@s atingid@s por essas doenças são mulheres, na verdade, ninguém sabe se temos maior vulnerabilidade a distúrbios emocionais ou se, ao contrário dos homens, temos mais facilidade em falar dos problemas que nos afligem e buscar ajuda. Não há dados conclusivos afirmando nenhuma das hipóteses, mas seria muito ingênuo achar que não há relações entre essas coisas.

Ou seja, a luta feminista é, acima de tudo, para que homens e mulheres vivam numa sociedade mais justa e em que tod@s sejam livres. Lutamos para que não existam cidadãos de primeira, segunda ou terceira classe; e para que os privilégios de uma elite se tornem direitos básicos de tod@s.

Cenas do próximo capítulo…

Dito isso, vou desmembrar as “bandeiras” usadas para criticar a luta feminista de que falei no começo, uma por uma:

“Alistamento militar obrigatório para as mulheres também!”

“Aposentadoria para homens e mulheres na mesma idade!”

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From → feminismo

2 Comentários
  1. 6 meses sem escrever uma linha e depois 3 artigos em 24 horas.
    vc tava hibernando, minks?

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