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Perfeição: get over it

junho 13, 2012

Adorei essa polêmica. Combinou com a cor dos olhos dela

De todas as polêmicas que o feminismo aborda, uma das que mais causa comoção é justamente… Maquiagem. Afinal, maquiagem é algo que reforça a opressão contra as mulheres? É algo que só usamos porque queremos nos sentir bem para nós mesmas? É inacreditável como algo tão banal consegue levantar uma discussão tão grande.

Antes de tudo, eu gostaria de dizer que eu adoro maquiagem. Meu objetivo não é convencer ninguém de que maquiagem é algo ruim para as mulheres, ou dizer que você deveria deixar de se maquiar para ser livre. Toda mulher tem o direito de usar as roupas e a maquiagem que quiser.

Dito isso, vamos à polêmica. Como disse antes, eu gosto de maquiagem. Mas, ao mesmo tempo, entendo que ela pode funcionar como um instrumento de opressão. Isso se dá porque as mulheres somos ensinadas desde cedo que nosso único papel na sociedade é ser decorativo. Não importa o que a gente seja ou faça, se temos destaque em nossas profissões, se somos ótimas donas-de-casa, se somos inteligentes e bem-humoradas: o importante é ter um rosto bonitinho (jovem, é claro) e o corpo com tudo em cima. Não é por acaso que temos palavrinhas na nossa língua exclusivamente para “xingar” uma mulher de feia.

Mas não basta você ser bonita, você tem que ser bonita do jeito certo, tem que ser perfeita. E aí que a maquiagem, ou melhor, uma gigantesca indústria de cosméticos entra. Uma indústria que se alimenta da insegurança que as mulheres sentem por não atingirem o padrão e vai tentar vender que você pode ter a pele perfeita daquela modelo com um ou dois produtinhos. Putz, a idade está chegando? Que catástrofe! Mas você não precisa passar por esse martírio: inventamos um creminho ótimo. E por aí vai. A maquiagem é vendida como instrumento que vai te fazer perfeita, linda, dentro dos padrões.  Igualzinho à modelo da propaganda!

Onde ela quer chegar? Para fazer o quê? Por que ela quis chegar lá? Não importa, ela tá linda!

Ter aquelas modelos de capa de revista como ideal de beleza é furada: afinal, elas passaram horas a fio ao redor de diversos figurinistas, maquiadores e cabeleireiros para saírem lindas naquela foto. Cada foto foi feita por profissionais, que conhecem os melhores ângulos, a melhor iluminação. E, é claro, existe o photoshop. A perfeição que vemos em revistas e propagandas na TV não existe. Ou melhor, não existe para a maioria de nós, que não pode contar com um séquito de pessoas para cuidar da nossa aparência todos os dias. Mas é claro que a indústria de cosméticos quer fazer você acreditar que pode ser exatamente daquele jeito. Basta querer (e gastar um pouco, claro).

A obrigação de ser linda, dentro dos padrões e perfeita o tempo inteiro é opressora. Esse é o mote da crítica feita à maquiagem. Ninguém quer que as mulheres do mundo se comportem de acordo com uma cartilha de conduta feminista. Esse questionamento todo ao redor da maquiagem vai mais além: chega ao único papel que a sociedade atribui a nós arbitrariamente. As mulheres podem ter papel decorativo se assim desejarem. Mas elas têm o direito de escolher outros papéis também, de rejeitar esse padrão arbitrário de ser sempre lindíssima. É isso que o feminismo quer: direito à liberdade. Liberdade, inclusive, para aceitar que não somos perfeitas. E que somos bonitas assim mesmo, com nossas manchinhas na pele, olheiras, rugas…

(Este post surgiu a partir de uma discussão no Facebook sobre os posts mais recentes da Lola a respeito do mesmo assunto)

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From → feminismo

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