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O que queremos neste 8 de março?

março 8, 2012

O que queremos neste 8 de março?

O Dia Internacional da Mulher não deveria ser um dia em que ganhamos flores nas ruas. Deveria ser um dia em que celebramos as lutas do passado e nos organizaríamos para lutar ainda mais no futuro.

Ainda há quem pergunte pelo que lutamos em pleno século XXI, já que as mulheres são maioria nas universidades, temos nosso direito ao voto garantido, estamos no mercado de trabalho e temos (?) nossa liberdade sexual plenamente garantida. O feminismo seria um movimento ultrapassado de mulheres feias, bigodudas e que odeiam os homens.

Se você pensa que as lutas acabaram, basta olhar ao redor. Repare em quantas mulheres você já chamou de puta apenas porque elas exerciam a sexualidade como bem entendiam. Repare quantas vezes você já se perguntou que roupa uma vítima de estupro estava usando na ocasião, se ela estava bêbada, se estava andando sozinha, se tinha trocado uns beijos com o agressor – enfim, se ela “provocou” a violência. Repare quantas vezes você já disse que “mulher no volante é um perigo constante”. Repare quantas vezes você já julgou uma mulher que escolheu não ter filhos, ou que deixou os filhos na creche desde muito pequenos para poder trabalhar, ou que decidiu cuidar dos filhos em tempo integral. Repare quantas vezes você responsabilizou apenas a mulher por uma gravidez indesejada, inclusive acusando-a de dar um golpe. Repare quantas vezes você já pensou (ou falou) que uma mulher era bem-sucedida no trabalho porque estava dando para a pessoa certa. Porque ser mulher num mundo machista é isso: não importa o que façamos, estamos erradas e merecemos ser julgadas.

Feministas não odeiam os homens. Pelo contrário, nós lutamos para que eles também sejam livres porque o machismo aprisiona os dois gêneros. Afinal, homem tem que mostrar que é homem o tempo inteiro. Tem que ser agressivo, não pode levar desaforo pra casa, tem que dizer cantadas nojentas para as mulheres que passam pela rua (afinal, mulher existe pra isso, certo?), não pode se envolver emocionalmente com ninguém, nem com os próprios filhos. Quem nunca ouviu que homem de verdade não chora?

Feminismo não é o oposto do machismo, mas um movimento que luta contra ele. Ser feminista é, acima de tudo, lutar para que todos os seres humanos não sejam aprisionados por modelos ultrapassados de gênero. Lutamos para que nenhuma mulher seja explorada em jornadas duplas de trabalho, para que todos os homens tenham o direito de exercer a paternidade, para que nenhuma mulher sofra violência de gênero, para que nenhum homem acredite que é preciso ser violento para afirmar sua masculinidade (aliás, pra que afirmar que é homem o tempo inteiro? Tem que afirmar pra quem?). Lutamos para que as mulheres tenham pleno direito sobre seus corpos sem serem julgadas por isso. Lutamos contra uma sociedade que prega que o feminino é sinônimo de fraqueza, é desprezado, diminuído.

Conquistamos muito, é verdade, mas as lutas estão longe de acabar. Porque se existe opressão contra uma mulher, todas nós sofremos, toda a sociedade sofre. Eu sou feminista e quero uma sociedade mais justa para todos. E você?

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From → feminismo

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